O futuro dos sistemas de sonar thales para as fragatas da marinha dos EUA canceladas

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O futuro dos sistemas de sonar thales para as fragatas da marinha dos EUA canceladas

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Em uma entrevista aprofundada com o Vice-Presidente de programas navais da Thales Defense & Security Inc., o Contra-Almirante (RM) Tony Lengerich, e o Vice-Presidente de estratégia da Advanced Acoustic Concepts (ACC), Mark Bock, foram revelados detalhes cruciais sobre os sistemas de Sonar de Profundidade Variável (VDS) CAPTAS-4. Esses sistemas de última geração estavam inicialmente designados para equipar as fragatas da classe Constellation da Marinha dos Estados Unidos, cuja construção foi posteriormente cancelada, gerando incertezas significativas sobre o destino desses componentes estratégicos de guerra antissubmarino (ASW). A discussão abordou não apenas o status atual da produção e entrega, mas também as potenciais aplicações futuras desses avançados sistemas em um cenário naval em constante evolução, ressaltando a importância do CAPTAS-4 VDS como um componente fundamental para a detecção e rastreamento de submarinos modernos.

Atualmente, os dois primeiros sistemas CAPTAS-4 VDS foram integralmente fabricados e montados, demonstrando um avanço considerável na sua concretização. Esses sistemas, que representam uma capacidade robusta de ASW, ainda são considerados prováveis de serem instalados nas duas primeiras fragatas da classe, o USS Constellation e o USS Congress, apesar do cancelamento da classe. A presença desses sonares seria um pilar essencial para as capacidades de guerra antissubmarino das embarcações, reforçando a estratégia defensiva e ofensiva da frota. A Naval News, que já havia coberto a apresentação do sonar no evento Sea, Air, Space 2025, manteve contato direto com os fabricantes para obter as informações mais recentes. Em declaração fornecida à Naval News antes do Sea Air Space 2026, um porta-voz da Thales confirmou o progresso na produção, afirmando que “Os 1º e 2º conjuntos foram entregues aos EUA, os 3º e 4º conjuntos estão fabricados e prontos para serem entregues da França, e a produção está atualmente pausada para honrar a produção dos 2 últimos sistemas dos 6 encomendados pela Marinha”. Esta declaração esclarece o status escalonado da entrega e a interrupção estratégica da produção, que visa priorizar os compromissos contratuais existentes.

Interesse persistente e novas aplicações táticas

A Marinha dos EUA tem a opção de assumir a propriedade dos três primeiros conjuntos de sistemas CAPTAS-4 VDS para disponibilidade imediata, embora as conclusões definitivas sobre seu uso ainda não tenham sido formalizadas. No entanto, a Thales indicou que a liderança da Marinha dos EUA tem demonstrado um interesse contínuo em sonares de profundidade variável em diversas capacidades, um ponto que foi explicitamente abordado durante a conferência SNA 2026 (Surface Navy Association) em janeiro. Isso sugere que, apesar das incertezas quanto à sua integração em navios de guerra específicos – uma questão que permanece em aberto –, a utilidade fundamental do VDS para operações navais não foi descartada. Tony Lengerich, Vice-Presidente de Programas Navais da Thales, complementou essa perspectiva, afirmando que “As discussões que tive com a liderança da Marinha sobre ASW sugerem que o papel de um sonar de profundidade variável continua. Como isso será implementado na frota de superfície, se em um casco cinza, ainda está por ser determinado”. Esta colocação destaca a reflexão estratégica contínua sobre a arquitetura da frota de superfície, onde 'casco cinza' tipicamente se refere a navios de guerra tripulados, e o esforço para integrar tecnologias avançadas de ASW.

Além das instalações diretas em navios de guerra tradicionais, o sistema CAPTAS-4 possui uma flexibilidade notável, permitindo sua completa conteinerização. Essa capacidade permite que ele seja acomodado integralmente em dois contêineres de transporte de 40 pés, uma solução logística padronizada que abre um leque de possibilidades operacionais. Um dos contêineres alberga o guincho e o arranjo do sonar, enquanto o outro é configurado como um centro de comando avançado, equipado com cinco estações de trabalho, incluindo displays 'waterfall' para visualização de dados acústicos, processadores de bordo dedicados e a capacidade de operar eficazmente mesmo em condições climáticas adversas. Essa abordagem modular confere ao sistema a versatilidade de ser montado em qualquer embarcação disponível que possua o espaço físico e os recursos necessários, transcendendo as limitações de plataformas dedicadas e permitindo uma implantação mais ágil e adaptável. A Thales também informou que o processo de conteinerização do CAPTAS-4 pode ser automatizado, o que permite sua instalação em Veículos de Superfície Não Tripulados (USVs), com um interesse particular sendo direcionado à família MUSV (Medium Unmanned Surface Vessels), especialmente após o cancelamento do programa Modular Attack Surface Craft (MASC). A instalação do sistema em USVs pela Thales poderia ser completamente automatizada, com o controle de profundidade do sonar potencialmente transmitido a um operador localizado remotamente. Essa capacidade de operação autônoma ou remota é vista como a rota mais provável para a Thales e a ACC perseguirem dentro dos parâmetros da Marinha dos EUA, dada a crescente gama de usos e plataformas disponíveis no domínio não tripulado para a guerra antissubmarino.

Capacidades operacionais comprovadas e reconhecimento internacional

Enquanto o destino de alguns dos sistemas CAPTAS-4 da Thales para a Marinha dos EUA ainda está sendo determinado, a eficácia e o valor operacional do sistema continuam a ser demonstrados de forma contundente em outras frotas. Recentemente, a fragata FREMM Aquitaine da Marinha Francesa, equipada com o CAPTAS-4 VDS, foi agraciada com o prestigiado prêmio “Hook’em” da Marinha dos EUA. Este reconhecimento não é isolado; é a quarta vez que a 6ª Frota dos EUA concede este prêmio a uma fragata da classe Aquitaine, equipada com o sistema CAPTAS-4 VDS, em reconhecimento à sua excepcional capacidade de localizar e rastrear submarinos com precisão. O prêmio “Hook’em” é um testemunho da excelência em guerra antissubmarino (ASW) e sublinha a performance consistente e superior do sistema Thales no ambiente operacional complexo e desafiador do Atlântico e Mediterrâneo, onde a 6ª Frota opera. Essa distinção internacional reforça a reputação do CAPTAS-4 como uma solução ASW de ponta, crucial para a segurança marítima e para a projeção de força naval, oferecendo um desempenho validado em cenários reais e exigentes.

O dilema da produção e o contexto estratégico global

Com a Marinha dos EUA ainda sob contrato para adquirir seis sistemas CAPTAS-4, e apenas três deles totalmente produzidos — sendo apenas dois destinados à instalação em navios de guerra inicialmente — a questão sobre a utilidade e a continuidade da produção dos três sistemas restantes permanece em aberto, dadas as incertezas da Marinha dos EUA. No entanto, a Naval News foi informada pela Thales que, caso o interesse em sua utilização aumente novamente, a produção pode ser reiniciada quase instantaneamente. Isso se deve ao fato de que a instalação de produção em Brest, na França, está meramente 'congelada', não totalmente desativada, o que implica uma capacidade de reativação rápida e eficiente sem a necessidade de reestruturação completa.

Paralelamente, a fábrica da Advanced Acoustic Concepts (ACC) em Uniontown, Pensilvânia, nos EUA, responsável pela produção dos arranjos de sonar CAPTAS-4, foi completamente finalizada e está apta tanto para a produção quanto para os testes. Com os custos de construção da instalação já consolidados, este 'sunk cost' (custo irrecuperável) posiciona a ACC com um vasto potencial para uma fabricação rapidamente escalável de sistemas de sonar comprovados. Essa capacidade de produção robusta poderia permitir a distribuição desses sistemas por uma variedade de plataformas, incluindo os já mencionados USVs, oferecendo flexibilidade estratégica e resiliência na cadeia de suprimentos da Marinha dos EUA.

A Thales e a ACC expressam confiança de que os seis sistemas CAPTAS-4 contratados poderiam ser prontamente concluídos assim que uma ordem para reiniciar a produção fosse emitida. O cronograma estimado para a produção e recepção desses seis sistemas pela Marinha dos EUA é considerado adequado para que a entrega ocorra antes de qualquer possível conflito com a China. Esta projeção adiciona uma dimensão geopolítica e estratégica crucial à discussão, sublinhando a importância da capacidade antissubmarino no contexto das tensões crescentes no Indo-Pacífico e a necessidade de preparativos navais oportunos para enfrentar desafios de segurança global.

Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica, segurança pública e conflitos internacionais, acompanhe a OP Magazine. Mantenha-se atualizado sobre os desenvolvimentos estratégicos que moldam o cenário global. Não perca nossas próximas publicações e siga-nos em nossas redes sociais para conteúdo exclusivo e discussões relevantes, que exploram as complexidades do poder e da segurança global.

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Em uma entrevista aprofundada com o Vice-Presidente de programas navais da Thales Defense & Security Inc., o Contra-Almirante (RM) Tony Lengerich, e o Vice-Presidente de estratégia da Advanced Acoustic Concepts (ACC), Mark Bock, foram revelados detalhes cruciais sobre os sistemas de Sonar de Profundidade Variável (VDS) CAPTAS-4. Esses sistemas de última geração estavam inicialmente designados para equipar as fragatas da classe Constellation da Marinha dos Estados Unidos, cuja construção foi posteriormente cancelada, gerando incertezas significativas sobre o destino desses componentes estratégicos de guerra antissubmarino (ASW). A discussão abordou não apenas o status atual da produção e entrega, mas também as potenciais aplicações futuras desses avançados sistemas em um cenário naval em constante evolução, ressaltando a importância do CAPTAS-4 VDS como um componente fundamental para a detecção e rastreamento de submarinos modernos.

Atualmente, os dois primeiros sistemas CAPTAS-4 VDS foram integralmente fabricados e montados, demonstrando um avanço considerável na sua concretização. Esses sistemas, que representam uma capacidade robusta de ASW, ainda são considerados prováveis de serem instalados nas duas primeiras fragatas da classe, o USS Constellation e o USS Congress, apesar do cancelamento da classe. A presença desses sonares seria um pilar essencial para as capacidades de guerra antissubmarino das embarcações, reforçando a estratégia defensiva e ofensiva da frota. A Naval News, que já havia coberto a apresentação do sonar no evento Sea, Air, Space 2025, manteve contato direto com os fabricantes para obter as informações mais recentes. Em declaração fornecida à Naval News antes do Sea Air Space 2026, um porta-voz da Thales confirmou o progresso na produção, afirmando que “Os 1º e 2º conjuntos foram entregues aos EUA, os 3º e 4º conjuntos estão fabricados e prontos para serem entregues da França, e a produção está atualmente pausada para honrar a produção dos 2 últimos sistemas dos 6 encomendados pela Marinha”. Esta declaração esclarece o status escalonado da entrega e a interrupção estratégica da produção, que visa priorizar os compromissos contratuais existentes.

Interesse persistente e novas aplicações táticas

A Marinha dos EUA tem a opção de assumir a propriedade dos três primeiros conjuntos de sistemas CAPTAS-4 VDS para disponibilidade imediata, embora as conclusões definitivas sobre seu uso ainda não tenham sido formalizadas. No entanto, a Thales indicou que a liderança da Marinha dos EUA tem demonstrado um interesse contínuo em sonares de profundidade variável em diversas capacidades, um ponto que foi explicitamente abordado durante a conferência SNA 2026 (Surface Navy Association) em janeiro. Isso sugere que, apesar das incertezas quanto à sua integração em navios de guerra específicos – uma questão que permanece em aberto –, a utilidade fundamental do VDS para operações navais não foi descartada. Tony Lengerich, Vice-Presidente de Programas Navais da Thales, complementou essa perspectiva, afirmando que “As discussões que tive com a liderança da Marinha sobre ASW sugerem que o papel de um sonar de profundidade variável continua. Como isso será implementado na frota de superfície, se em um casco cinza, ainda está por ser determinado”. Esta colocação destaca a reflexão estratégica contínua sobre a arquitetura da frota de superfície, onde 'casco cinza' tipicamente se refere a navios de guerra tripulados, e o esforço para integrar tecnologias avançadas de ASW.

Além das instalações diretas em navios de guerra tradicionais, o sistema CAPTAS-4 possui uma flexibilidade notável, permitindo sua completa conteinerização. Essa capacidade permite que ele seja acomodado integralmente em dois contêineres de transporte de 40 pés, uma solução logística padronizada que abre um leque de possibilidades operacionais. Um dos contêineres alberga o guincho e o arranjo do sonar, enquanto o outro é configurado como um centro de comando avançado, equipado com cinco estações de trabalho, incluindo displays 'waterfall' para visualização de dados acústicos, processadores de bordo dedicados e a capacidade de operar eficazmente mesmo em condições climáticas adversas. Essa abordagem modular confere ao sistema a versatilidade de ser montado em qualquer embarcação disponível que possua o espaço físico e os recursos necessários, transcendendo as limitações de plataformas dedicadas e permitindo uma implantação mais ágil e adaptável. A Thales também informou que o processo de conteinerização do CAPTAS-4 pode ser automatizado, o que permite sua instalação em Veículos de Superfície Não Tripulados (USVs), com um interesse particular sendo direcionado à família MUSV (Medium Unmanned Surface Vessels), especialmente após o cancelamento do programa Modular Attack Surface Craft (MASC). A instalação do sistema em USVs pela Thales poderia ser completamente automatizada, com o controle de profundidade do sonar potencialmente transmitido a um operador localizado remotamente. Essa capacidade de operação autônoma ou remota é vista como a rota mais provável para a Thales e a ACC perseguirem dentro dos parâmetros da Marinha dos EUA, dada a crescente gama de usos e plataformas disponíveis no domínio não tripulado para a guerra antissubmarino.

Capacidades operacionais comprovadas e reconhecimento internacional

Enquanto o destino de alguns dos sistemas CAPTAS-4 da Thales para a Marinha dos EUA ainda está sendo determinado, a eficácia e o valor operacional do sistema continuam a ser demonstrados de forma contundente em outras frotas. Recentemente, a fragata FREMM Aquitaine da Marinha Francesa, equipada com o CAPTAS-4 VDS, foi agraciada com o prestigiado prêmio “Hook’em” da Marinha dos EUA. Este reconhecimento não é isolado; é a quarta vez que a 6ª Frota dos EUA concede este prêmio a uma fragata da classe Aquitaine, equipada com o sistema CAPTAS-4 VDS, em reconhecimento à sua excepcional capacidade de localizar e rastrear submarinos com precisão. O prêmio “Hook’em” é um testemunho da excelência em guerra antissubmarino (ASW) e sublinha a performance consistente e superior do sistema Thales no ambiente operacional complexo e desafiador do Atlântico e Mediterrâneo, onde a 6ª Frota opera. Essa distinção internacional reforça a reputação do CAPTAS-4 como uma solução ASW de ponta, crucial para a segurança marítima e para a projeção de força naval, oferecendo um desempenho validado em cenários reais e exigentes.

O dilema da produção e o contexto estratégico global

Com a Marinha dos EUA ainda sob contrato para adquirir seis sistemas CAPTAS-4, e apenas três deles totalmente produzidos — sendo apenas dois destinados à instalação em navios de guerra inicialmente — a questão sobre a utilidade e a continuidade da produção dos três sistemas restantes permanece em aberto, dadas as incertezas da Marinha dos EUA. No entanto, a Naval News foi informada pela Thales que, caso o interesse em sua utilização aumente novamente, a produção pode ser reiniciada quase instantaneamente. Isso se deve ao fato de que a instalação de produção em Brest, na França, está meramente 'congelada', não totalmente desativada, o que implica uma capacidade de reativação rápida e eficiente sem a necessidade de reestruturação completa.

Paralelamente, a fábrica da Advanced Acoustic Concepts (ACC) em Uniontown, Pensilvânia, nos EUA, responsável pela produção dos arranjos de sonar CAPTAS-4, foi completamente finalizada e está apta tanto para a produção quanto para os testes. Com os custos de construção da instalação já consolidados, este 'sunk cost' (custo irrecuperável) posiciona a ACC com um vasto potencial para uma fabricação rapidamente escalável de sistemas de sonar comprovados. Essa capacidade de produção robusta poderia permitir a distribuição desses sistemas por uma variedade de plataformas, incluindo os já mencionados USVs, oferecendo flexibilidade estratégica e resiliência na cadeia de suprimentos da Marinha dos EUA.

A Thales e a ACC expressam confiança de que os seis sistemas CAPTAS-4 contratados poderiam ser prontamente concluídos assim que uma ordem para reiniciar a produção fosse emitida. O cronograma estimado para a produção e recepção desses seis sistemas pela Marinha dos EUA é considerado adequado para que a entrega ocorra antes de qualquer possível conflito com a China. Esta projeção adiciona uma dimensão geopolítica e estratégica crucial à discussão, sublinhando a importância da capacidade antissubmarino no contexto das tensões crescentes no Indo-Pacífico e a necessidade de preparativos navais oportunos para enfrentar desafios de segurança global.

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