Em um movimento estratégico que visa o fortalecimento da capacidade de defesa naval e a consolidação da autonomia tecnológica nacional, a Diretoria de Sistemas de Armas (DSAM) da Marinha do Brasil e a Atech, empresa de tecnologia pertencente ao renomado Grupo Embraer, selaram um Protocolo de Intenções. O acordo, formalizado em 17 de abril de 2026, no Rio de Janeiro, estabelece as bases para uma cooperação intensiva e o intercâmbio de informações técnicas. O foco principal reside na elaboração de estudos aprofundados para a evolução contínua e a manutenção do estado da arte do Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS – Combat Management System), além de promover o aprimoramento das capacidades operacionais do Sistema de Combate das futuras fragatas classe Tamandaré (FCT).
A formalização deste compromisso foi selada por importantes representantes, refletindo a alta prioridade estratégica conferida à iniciativa por ambas as instituições. A assinatura do documento contou com a participação do Vice-Almirante Carlos Henrique de Lima Zampieri, que representou o alto comando naval brasileiro, e de Rodrigo Persico, CEO da Atech, acompanhado por Giacomo Staniscia, Diretor de Negócios de Defesa da empresa. Este ato simboliza um alinhamento de objetivos entre o setor público e a indústria de defesa, essencial para o avanço de projetos de tão grande envergadura tecnológica.
A consolidação da soberania tecnológica brasileira
Este protocolo é um marco que consolida a posição da Atech como uma crucial “Casa de Sistemas” para a Defesa do Brasil. Essa designação sublinha a capacidade da empresa de atuar como principal desenvolvedora e integradora de soluções complexas, detendo o conhecimento técnico e a expertise para gerenciar todo o ciclo de vida de sistemas de missão crítica. A Atech já é responsável pelo desenvolvimento de componentes vitais, como o CMS e o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS) das fragatas classe Tamandaré, elementos fundamentais para a arquitetura operacional dessas embarcações.
O Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) funciona como o cérebro operacional do navio, sendo indispensável para as operações militares navais. Sua função primordial é integrar e processar dados provenientes de múltiplos sensores, como radares, sonares e sistemas eletro-ópticos, e coordenar o emprego dos armamentos a bordo, incluindo mísseis e canhões. Essa capacidade de integração proporciona uma consciência situacional completa, permitindo que a tripulação e o comando tenham uma visão integrada e em tempo real do ambiente operacional. Tal detalhamento é crucial para apoiar a tomada de decisão em cenários de combate dinâmicos e complexos, otimizando as respostas táticas e estratégicas em momentos de alta pressão. O Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS), por sua vez, complementa o CMS, supervisionando os sistemas não-combatentes do navio, como propulsão, energia e controle de avarias, garantindo a operacionalidade geral da plataforma e a segurança da tripulação.
Com este novo passo, Atech e Marinha do Brasil reforçam sua união estratégica para explorar soluções tecnológicas avançadas. O objetivo é assegurar que as fragatas classe Tamandaré mantenham a superioridade tecnológica ao longo de todo o seu ciclo de vida. Isso implica em pesquisa e desenvolvimento contínuos, adaptação a novas tecnologias emergentes e proatividade na mitigação de vulnerabilidades, respondendo eficazmente às futuras demandas e ameaças do cenário naval, que incluem desde novos tipos de armamentos antinavio até a crescente complexidade da guerra cibernética.
O CEO da Atech, Rodrigo Persico, enfatiza a relevância estratégica da colaboração, afirmando que “Esta parceria com a Marinha do Brasil é um passo estratégico que reforça nosso compromisso de longo prazo com a soberania nacional”. Ele complementa que “Ao trabalharmos juntos na evolução contínua dos sistemas de combate, garantimos que as Forças Navais brasileiras operem com o que há de mais avançado em tecnologia de defesa, aumentando a segurança e a eficiência de suas missões.” Esta declaração ressalta o alinhamento dos objetivos empresariais da Atech com as metas de segurança e defesa do Estado brasileiro, projetando um futuro de maior capacidade operacional e autossuficiência tecnológica.
Em uma perspectiva da Marinha, o Vice-Almirante Carlos Henrique de Lima Zampieri sublinha a criticidade desta iniciativa para a independência tecnológica do país. Ele declara: “A parceria entre MB e Atech torna-se primordial para assegurar que o Sistema de Gerenciamento de Combate das fragatas classe Tamandaré esteja sempre em constante evolução.” A ênfase na “autonomia tecnológica do Brasil no setor de sistemas para a Defesa” reflete a visão estratégica de reduzir a dependência externa e fortalecer a base industrial de defesa nacional, um fator crucial para a resiliência e a capacidade de resposta do país em um cenário geopolítico volátil.
O programa fragatas classe Tamandaré e a segurança da Amazônia Azul
O Programa Fragatas Classe Tamandaré é reconhecido como um dos mais importantes projetos de modernização da Marinha do Brasil, representando um salto qualitativo significativo na capacidade de defesa do país. Ele contempla a construção de quatro navios de alta complexidade tecnológica, projetados para múltiplas missões, desde patrulha e defesa antiaérea até guerra antissubmarino, exigindo uma integração de sistemas extremamente sofisticada. Estas embarcações ampliarão substancialmente a capacidade de proteção das águas jurisdicionais brasileiras.
As Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB) abrangem uma vasta área conhecida como 'Amazônia Azul', que é estratégica devido à sua riqueza em recursos naturais, como as reservas de petróleo do pré-sal, e sua vital importância para as rotas comerciais e a biodiversidade. A presença e a capacidade de atuação das fragatas classe Tamandaré são essenciais para garantir a segurança desses recursos, a salvaguarda da navegação e a soberania nacional sobre este espaço marítimo estratégico, contribuindo diretamente para a defesa dos interesses nacionais em um ambiente geopolítico e de segurança em constante evolução.
A colaboração entre a Marinha do Brasil e a Atech, empresa com expertise consolidada em sistemas C5ISR/consciência situacional, defesa cibernética e IoT para missões críticas, não apenas garante que o Programa Fragatas Classe Tamandaré esteja alinhado com as mais recentes inovações, mas também projeta o Brasil como um ator com crescente autonomia tecnológica na arena da defesa global. O domínio de todo o ciclo de vida de sistemas complexos – da concepção ao suporte, com foco em interoperabilidade, disponibilidade, segurança e escalabilidade – sublinha a competência nacional em fornecer soluções robustas para ambientes críticos.
Este Protocolo de Intenções sublinha o compromisso contínuo da Marinha do Brasil com a modernização e a garantia da soberania nacional, por meio da valorização da indústria de defesa brasileira. A evolução do Sistema de Gerenciamento de Combate das fragatas classe Tamandaré, em parceria com a Atech, é um passo decisivo para assegurar que a Força Naval esteja sempre preparada para os desafios futuros da segurança marítima. Para análises mais aprofundadas sobre defesa, geopolítica e tecnologia militar, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e fique por dentro das últimas novidades e tendências que moldam o cenário global.










