Missões limitadas, grandes riscos: o que um combate terrestre dos EUA no Irã poderia se tornar

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Missões limitadas, grandes riscos: o que um combate terrestre dos EUA no Irã poderia se tornar

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Com a intensificação das tensões no Oriente Médio, os Estados Unidos estão mobilizando milhares de militares para a região, enquanto o Pentágono avalia a complexa possibilidade de operações terrestres no Irã. Esta movimentação estratégica levanta uma questão crucial para analistas e planejadores militares: qual seria a configuração prática e as implicações dessas missões em solo iraniano? Especialistas militares apontam para diversos cenários, que variam desde assaltos costeiros e incursões para neutralizar instalações nucleares até operações mais profundas no interior do país. Cada uma dessas missões, isoladamente ou em conjunto, pode evoluir para algo de maior envergadura. Em qualquer um desses contextos, as forças estadunidenses estariam sujeitas a um ambiente de combate onde mísseis, drones e unidades terrestres iranianas poderiam engajar alvos tão logo chegassem, impondo riscos significativos desde o primeiro momento da incursão.

Batalha pelo estreito de Ormuz: estratégia e riscos marítimos

Um dos cenários mais discutidos envolve um confronto ao longo das rotas marítimas, especificamente no estratégico estreito de Ormuz. As forças dos EUA poderiam ser designadas para a tarefa de assegurar ilhas ou posições costeiras com o objetivo de reabrir essa via marítima vital, que tem sofrido interrupções significativas em decorrência do conflito com o Irã. O estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, e sua interdição teria repercussões globais. Joe Costa, diretor do programa Forward Defense no Scowcroft Center do Atlantic Council, sugere que uma incursão terrestre limitada, com fuzileiros navais e unidades aerotransportadas desdobradas para tomar terreno estratégico, seria plausível.

O ex-presidente Donald Trump mencionou publicamente a ilha de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo do Irã, localizada na costa do país, como um possível alvo. Em uma publicação recente, ele expressou a intenção de “aniquilar completamente” a ilha. Costa, que atuou como alto funcionário do Pentágono e trabalhou em planos de guerra dos EUA, incluindo cenários no Irã, reconheceu a especulação sobre Kharg. Contudo, ele também descreveu um cenário onde as forças estadunidenses poderiam se concentrar em assegurar ilhas como Abu Musa, Larak e Tunbs, situadas na costa sul iraniana. Essas ilhas são de importância tática para desmantelar unidades de reconhecimento iranianas e facilitar a abertura do estreito de Ormuz. A segurança de portos costeiros também seria crucial para apoiar ativos navais na região. A operação inicial, segundo Costa, poderia ser liderada por unidades de fuzileiros navais, com o apoio de forças aerotransportadas para incursões limitadas e assaltos aéreos, todos sob a premissa de superioridade aérea dos EUA.

A chegada do USS Tripoli e da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais às águas da região na última sexta-feira, juntamente com o desdobramento de elementos da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio, conforme confirmado pelo Pentágono, sublinha a preparação para tais eventualidades. Costa adverte que um confronto inicial não ocorreria isoladamente; apesar de relatos variados sobre a capacidade militar iraniana, o país ainda mantém um comando e controle funcionais e é capaz de montar ataques. As primeiras ondas de tropas terrestres estadunidenses enfrentariam, sem dúvida, o fogo iraniano. Costa ressalta que, embora a força avassaladora dos EUA provavelmente seria bem-sucedida em garantir território, cada comandante se depararia diariamente com a difícil decisão entre assumir riscos para as tropas ou para a missão. A proteção da força se tornaria primordial, especialmente se o número de baixas começasse a aumentar, indicando um alto risco inerente a essa operação.

Operações em locais nucleares: desafios técnicos e táticos profundos

Outro tipo de operação contemplada desviaria o foco do controle territorial para o programa nuclear do Irã. Em vez de tomar terreno, as forças estadunidenses poderiam ser encarregadas de infiltrar locais fortificados para garantir materiais sensíveis, uma missão que provavelmente ocorreria sob fogo intenso e em profundidade dentro do território iraniano. Nicole Grajewski, especialista em mísseis iranianos e na Guarda Revolucionária Islâmica, sugere que uma operação para apreender urânio enriquecido provavelmente envolveria forças especiais em uma instalação nuclear em Isfahan, uma cidade densamente povoada no centro do país. A complexidade de escavar material nuclear demandaria uma vasta gama de suporte, desde equipamentos de construção até ativos especializados em guerra química, biológica, radiológica e nuclear (CBRN).

Grajewski, professora na Sciences Po, detalha que as forças terrestres teriam que realizar escavações profundas para acessar os recipientes de urânio altamente enriquecido, para então extraí-los e retirá-los do país. Uma equipe de extração provavelmente encontraria resistência significativa, dada a natureza sensível da missão. A área de Isfahan é conhecida por seu intenso tráfego e a instalação nuclear está localizada próxima a numerosas bases militares e instalações de mísseis, tornando a operação extremamente arriscada. Grajewski descreveu essa operação como algo que as forças armadas dos EUA “não teriam realizado antes”, e que os especialistas só poderiam especular sobre como seria executada. Questionamentos surgem sobre a logística e a tática, como a possibilidade de um voo noturno para uma extração rápida sob o manto da escuridão, evidenciando as incertezas operacionais envolvidas.

Mesmo operações de natureza pontual, como a tomada de uma ilha ou a extração de materiais nucleares, carregam o risco inerente de escalada para um conflito de proporções muito maiores. Dan Grazier, diretor do Programa de Reforma da Segurança Nacional no Stimson Center e veterano do Corpo de Fuzileiros Navais, enfatiza que os desafios que as forças dos EUA poderiam enfrentar vão além da mera segurança de terrenos ou itens. O ponto central reside em como o Irã optaria por reagir e combater uma vez que soldados americanos estivessem em seu território. Grazier afirma que “os iranianes farão tudo o que puderem para matar e capturar o maior número possível de americanos”, sublinhando a determinação e a capacidade do Irã em infligir danos e custo humano às forças invasoras, elevando o risco de um envolvimento prolongado e imprevisível.

Para se manter atualizado sobre as análises mais aprofundadas em defesa, geopolítica e segurança internacional, siga a OP Magazine em todas as nossas redes sociais. Não perca nenhum detalhe dos eventos que moldam o cenário global e compreenda as complexidades das operações militares e estratégicas com a expertise de nossos especialistas.

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Com a intensificação das tensões no Oriente Médio, os Estados Unidos estão mobilizando milhares de militares para a região, enquanto o Pentágono avalia a complexa possibilidade de operações terrestres no Irã. Esta movimentação estratégica levanta uma questão crucial para analistas e planejadores militares: qual seria a configuração prática e as implicações dessas missões em solo iraniano? Especialistas militares apontam para diversos cenários, que variam desde assaltos costeiros e incursões para neutralizar instalações nucleares até operações mais profundas no interior do país. Cada uma dessas missões, isoladamente ou em conjunto, pode evoluir para algo de maior envergadura. Em qualquer um desses contextos, as forças estadunidenses estariam sujeitas a um ambiente de combate onde mísseis, drones e unidades terrestres iranianas poderiam engajar alvos tão logo chegassem, impondo riscos significativos desde o primeiro momento da incursão.

Batalha pelo estreito de Ormuz: estratégia e riscos marítimos

Um dos cenários mais discutidos envolve um confronto ao longo das rotas marítimas, especificamente no estratégico estreito de Ormuz. As forças dos EUA poderiam ser designadas para a tarefa de assegurar ilhas ou posições costeiras com o objetivo de reabrir essa via marítima vital, que tem sofrido interrupções significativas em decorrência do conflito com o Irã. O estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, e sua interdição teria repercussões globais. Joe Costa, diretor do programa Forward Defense no Scowcroft Center do Atlantic Council, sugere que uma incursão terrestre limitada, com fuzileiros navais e unidades aerotransportadas desdobradas para tomar terreno estratégico, seria plausível.

O ex-presidente Donald Trump mencionou publicamente a ilha de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo do Irã, localizada na costa do país, como um possível alvo. Em uma publicação recente, ele expressou a intenção de “aniquilar completamente” a ilha. Costa, que atuou como alto funcionário do Pentágono e trabalhou em planos de guerra dos EUA, incluindo cenários no Irã, reconheceu a especulação sobre Kharg. Contudo, ele também descreveu um cenário onde as forças estadunidenses poderiam se concentrar em assegurar ilhas como Abu Musa, Larak e Tunbs, situadas na costa sul iraniana. Essas ilhas são de importância tática para desmantelar unidades de reconhecimento iranianas e facilitar a abertura do estreito de Ormuz. A segurança de portos costeiros também seria crucial para apoiar ativos navais na região. A operação inicial, segundo Costa, poderia ser liderada por unidades de fuzileiros navais, com o apoio de forças aerotransportadas para incursões limitadas e assaltos aéreos, todos sob a premissa de superioridade aérea dos EUA.

A chegada do USS Tripoli e da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais às águas da região na última sexta-feira, juntamente com o desdobramento de elementos da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio, conforme confirmado pelo Pentágono, sublinha a preparação para tais eventualidades. Costa adverte que um confronto inicial não ocorreria isoladamente; apesar de relatos variados sobre a capacidade militar iraniana, o país ainda mantém um comando e controle funcionais e é capaz de montar ataques. As primeiras ondas de tropas terrestres estadunidenses enfrentariam, sem dúvida, o fogo iraniano. Costa ressalta que, embora a força avassaladora dos EUA provavelmente seria bem-sucedida em garantir território, cada comandante se depararia diariamente com a difícil decisão entre assumir riscos para as tropas ou para a missão. A proteção da força se tornaria primordial, especialmente se o número de baixas começasse a aumentar, indicando um alto risco inerente a essa operação.

Operações em locais nucleares: desafios técnicos e táticos profundos

Outro tipo de operação contemplada desviaria o foco do controle territorial para o programa nuclear do Irã. Em vez de tomar terreno, as forças estadunidenses poderiam ser encarregadas de infiltrar locais fortificados para garantir materiais sensíveis, uma missão que provavelmente ocorreria sob fogo intenso e em profundidade dentro do território iraniano. Nicole Grajewski, especialista em mísseis iranianos e na Guarda Revolucionária Islâmica, sugere que uma operação para apreender urânio enriquecido provavelmente envolveria forças especiais em uma instalação nuclear em Isfahan, uma cidade densamente povoada no centro do país. A complexidade de escavar material nuclear demandaria uma vasta gama de suporte, desde equipamentos de construção até ativos especializados em guerra química, biológica, radiológica e nuclear (CBRN).

Grajewski, professora na Sciences Po, detalha que as forças terrestres teriam que realizar escavações profundas para acessar os recipientes de urânio altamente enriquecido, para então extraí-los e retirá-los do país. Uma equipe de extração provavelmente encontraria resistência significativa, dada a natureza sensível da missão. A área de Isfahan é conhecida por seu intenso tráfego e a instalação nuclear está localizada próxima a numerosas bases militares e instalações de mísseis, tornando a operação extremamente arriscada. Grajewski descreveu essa operação como algo que as forças armadas dos EUA “não teriam realizado antes”, e que os especialistas só poderiam especular sobre como seria executada. Questionamentos surgem sobre a logística e a tática, como a possibilidade de um voo noturno para uma extração rápida sob o manto da escuridão, evidenciando as incertezas operacionais envolvidas.

Mesmo operações de natureza pontual, como a tomada de uma ilha ou a extração de materiais nucleares, carregam o risco inerente de escalada para um conflito de proporções muito maiores. Dan Grazier, diretor do Programa de Reforma da Segurança Nacional no Stimson Center e veterano do Corpo de Fuzileiros Navais, enfatiza que os desafios que as forças dos EUA poderiam enfrentar vão além da mera segurança de terrenos ou itens. O ponto central reside em como o Irã optaria por reagir e combater uma vez que soldados americanos estivessem em seu território. Grazier afirma que “os iranianes farão tudo o que puderem para matar e capturar o maior número possível de americanos”, sublinhando a determinação e a capacidade do Irã em infligir danos e custo humano às forças invasoras, elevando o risco de um envolvimento prolongado e imprevisível.

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