O navio de assalto classe Ivan Rogov da Rússia se aproxima da conclusão na Crimeia

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O navio de assalto classe Ivan Rogov da Rússia se aproxima da conclusão na Crimeia

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Imagens de satélite recentes, capturadas em 11 de março e divulgadas pela AllSource Analysis, revelam que o Ivan Rogov, o mais novo navio de assalto anfíbio da Rússia e a primeira de duas unidades planejadas, está em estágio avançado de construção no dique seco do Estaleiro Zaliv, na Crimeia ocupada. A embarcação se aproxima do ponto de lançamento, e a observação de diversas medidas defensivas no local indica a alta prioridade estratégica do projeto para as forças armadas russas, mesmo diante do conflito em curso na Ucrânia, reforçando a visão de longo prazo da Rússia para sua projeção de poder naval.

A continuidade ininterrupta na construção do Ivan Rogov, em meio aos desafios impostos pela guerra na Ucrânia, sublinha a intenção russa de modernizar e expandir suas capacidades navais. As imagens detalhadas do estaleiro Zaliv na Península da Crimeia mostram o Ivan Rogov com sua superestrutura principal já concluída, enquanto o trabalho no convés de helicópteros ainda prossegue, com equipamentos de construção dispersos indicando atividade contínua. Na popa do navio, o grande elevador projetado para transporte de helicópteros entre o convés de voo e o hangar já está instalado, representando um marco significativo nas funcionalidades logísticas da aeronavegabilidade.

Uma abertura visível entre a superestrutura e o elevador de popa corresponde ao local de um elevador central menor, conforme modelos em escala da classe Ivan Rogov. Este elevador não foi projetado para acomodar helicópteros, mas sim para o manuseio eficiente de munições, peças de reposição e outros suprimentos essenciais entre os conveses, otimizando as operações logísticas da embarcação. A presença de sua tampa superior, uma grande placa metálica com coloração idêntica à do elevador de helicópteros, nas proximidades do dique, sugere uma instalação iminente, indicando o progresso detalhado na conclusão das funcionalidades internas do navio.

Contexto estratégico e o desenvolvimento do projeto 23900

A classe Ivan Rogov, formalmente conhecida como Projeto 23900 na nomenclatura naval russa, compreende dois navios de assalto anfíbio do tipo LHD (Landing Helicopter Dock) encomendados para a Marinha russa. Essas embarcações são cruciais para a estratégia de projeção de poder do país, permitindo que suas unidades de Infantaria Naval operem de forma autônoma e por períodos prolongados além das fronteiras costeiras, assegurando interesses regionais e globais de maneira análoga às operações de forças navais ocidentais.

O desenvolvimento destes LHDs russos é um desdobramento direto da frustrada aquisição de dois navios da classe Mistral junto à França. A construção dos navios Vladivostok e Sevastopol em Saint-Nazaire foi interrompida em 2014, quando a França cancelou o contrato e reembolsou a Rússia em resposta à anexação da Crimeia. Os navios foram subsequentemente vendidos à Marinha egípcia, onde operam como ENS Gamal Abdel Nasser e ENS Anwar El Sadat, um revés que impulsionou a Rússia a desenvolver sua própria capacidade naval independente.

Impelida por essa necessidade, a Rússia investiu no Projeto 23900, aproveitando, em parte, transferências de tecnologia e conhecimentos obtidos no contrato francês. Em 22 de maio de 2020, a agência TASS noticiou o contrato com o Estaleiro Zaliv para a construção dos dois navios da classe Ivan Rogov. Inicialmente, cada embarcação seria capaz de transportar até 20 helicópteros e 900 fuzileiros navais, com um dique-doca na popa para até quatro embarcações de desembarque, como as classes Serna ou Dyugon, essenciais para as manobras de navio-para-terra, reforçando a flexibilidade tática para operações anfíbias e de suporte logístico.

Revisões de capacidade e desafios de entrega

A cerimônia de batimento de quilha dos cascos, que receberam os nomes Ivan Rogov e Mitrofan Moskalenko, ocorreu em 20 de julho de 2020. No final de fevereiro de 2021, houve uma revisão nos requisitos operacionais: o componente aéreo foi redefinido para um máximo de 16 helicópteros e quatro VANTs S-70 Okhotnik, dedicados a missões de reconhecimento e aquisição de alvos, indicando uma evolução na doutrina de emprego dessas embarcações. As entregas, inicialmente previstas para 2026 e 2027, foram postergadas para 2028 e 2029, um impacto direto da invasão da Ucrânia e das consequentes sanções econômicas internacionais que afetam cadeias de suprimentos e recursos financeiros.

A análise de imagens históricas do Estaleiro Zaliv revela que apenas um navio de assalto anfíbio está atualmente em construção dentro do dique seco, sendo este provavelmente o Ivan Rogov, destinado à Frota do Pacífico da Rússia. Sua dimensão considerável ocupa a maior parte do espaço disponível no dique, sublinhando as limitações de infraestrutura para a construção simultânea de embarcações de grande porte, enquanto a construção do Mitrofan Moskalenko ainda aguarda sua vez, refletindo possíveis priorizações estratégicas ou desafios de capacidade de produção do estaleiro.

Para mais análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, e para se manter atualizado sobre os desenvolvimentos estratégicos globais, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e não perca nenhuma de nossas publicações. Junte-se à nossa comunidade de leitores e especialistas!

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Imagens de satélite recentes, capturadas em 11 de março e divulgadas pela AllSource Analysis, revelam que o Ivan Rogov, o mais novo navio de assalto anfíbio da Rússia e a primeira de duas unidades planejadas, está em estágio avançado de construção no dique seco do Estaleiro Zaliv, na Crimeia ocupada. A embarcação se aproxima do ponto de lançamento, e a observação de diversas medidas defensivas no local indica a alta prioridade estratégica do projeto para as forças armadas russas, mesmo diante do conflito em curso na Ucrânia, reforçando a visão de longo prazo da Rússia para sua projeção de poder naval.

A continuidade ininterrupta na construção do Ivan Rogov, em meio aos desafios impostos pela guerra na Ucrânia, sublinha a intenção russa de modernizar e expandir suas capacidades navais. As imagens detalhadas do estaleiro Zaliv na Península da Crimeia mostram o Ivan Rogov com sua superestrutura principal já concluída, enquanto o trabalho no convés de helicópteros ainda prossegue, com equipamentos de construção dispersos indicando atividade contínua. Na popa do navio, o grande elevador projetado para transporte de helicópteros entre o convés de voo e o hangar já está instalado, representando um marco significativo nas funcionalidades logísticas da aeronavegabilidade.

Uma abertura visível entre a superestrutura e o elevador de popa corresponde ao local de um elevador central menor, conforme modelos em escala da classe Ivan Rogov. Este elevador não foi projetado para acomodar helicópteros, mas sim para o manuseio eficiente de munições, peças de reposição e outros suprimentos essenciais entre os conveses, otimizando as operações logísticas da embarcação. A presença de sua tampa superior, uma grande placa metálica com coloração idêntica à do elevador de helicópteros, nas proximidades do dique, sugere uma instalação iminente, indicando o progresso detalhado na conclusão das funcionalidades internas do navio.

Contexto estratégico e o desenvolvimento do projeto 23900

A classe Ivan Rogov, formalmente conhecida como Projeto 23900 na nomenclatura naval russa, compreende dois navios de assalto anfíbio do tipo LHD (Landing Helicopter Dock) encomendados para a Marinha russa. Essas embarcações são cruciais para a estratégia de projeção de poder do país, permitindo que suas unidades de Infantaria Naval operem de forma autônoma e por períodos prolongados além das fronteiras costeiras, assegurando interesses regionais e globais de maneira análoga às operações de forças navais ocidentais.

O desenvolvimento destes LHDs russos é um desdobramento direto da frustrada aquisição de dois navios da classe Mistral junto à França. A construção dos navios Vladivostok e Sevastopol em Saint-Nazaire foi interrompida em 2014, quando a França cancelou o contrato e reembolsou a Rússia em resposta à anexação da Crimeia. Os navios foram subsequentemente vendidos à Marinha egípcia, onde operam como ENS Gamal Abdel Nasser e ENS Anwar El Sadat, um revés que impulsionou a Rússia a desenvolver sua própria capacidade naval independente.

Impelida por essa necessidade, a Rússia investiu no Projeto 23900, aproveitando, em parte, transferências de tecnologia e conhecimentos obtidos no contrato francês. Em 22 de maio de 2020, a agência TASS noticiou o contrato com o Estaleiro Zaliv para a construção dos dois navios da classe Ivan Rogov. Inicialmente, cada embarcação seria capaz de transportar até 20 helicópteros e 900 fuzileiros navais, com um dique-doca na popa para até quatro embarcações de desembarque, como as classes Serna ou Dyugon, essenciais para as manobras de navio-para-terra, reforçando a flexibilidade tática para operações anfíbias e de suporte logístico.

Revisões de capacidade e desafios de entrega

A cerimônia de batimento de quilha dos cascos, que receberam os nomes Ivan Rogov e Mitrofan Moskalenko, ocorreu em 20 de julho de 2020. No final de fevereiro de 2021, houve uma revisão nos requisitos operacionais: o componente aéreo foi redefinido para um máximo de 16 helicópteros e quatro VANTs S-70 Okhotnik, dedicados a missões de reconhecimento e aquisição de alvos, indicando uma evolução na doutrina de emprego dessas embarcações. As entregas, inicialmente previstas para 2026 e 2027, foram postergadas para 2028 e 2029, um impacto direto da invasão da Ucrânia e das consequentes sanções econômicas internacionais que afetam cadeias de suprimentos e recursos financeiros.

A análise de imagens históricas do Estaleiro Zaliv revela que apenas um navio de assalto anfíbio está atualmente em construção dentro do dique seco, sendo este provavelmente o Ivan Rogov, destinado à Frota do Pacífico da Rússia. Sua dimensão considerável ocupa a maior parte do espaço disponível no dique, sublinhando as limitações de infraestrutura para a construção simultânea de embarcações de grande porte, enquanto a construção do Mitrofan Moskalenko ainda aguarda sua vez, refletindo possíveis priorizações estratégicas ou desafios de capacidade de produção do estaleiro.

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