Coreia do Sul já se prepara para submarinos de propulsão nuclear

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Coreia do Sul já se prepara para submarinos de propulsão nuclear

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As aspirações da Coreia do Sul em adquirir submarinos de propulsão nuclear receberam um impulso significativo em 29 de outubro de 2025, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o governo norte-americano havia concedido aprovação para Seul construir tais embarcações em solo americano. Essa sinalização dos EUA, um aliado estratégico chave, é fundamental para a Coreia do Sul, dadas as complexidades tecnológicas e as implicações de não proliferação nuclear envolvidas no desenvolvimento de tais capacidades militares, que exigem uma colaboração estreita e a transferência de tecnologia sensível.

Contexto geopolítico e arcabouço legal

Em fevereiro de 2026, o Ministério da Defesa Nacional da Coreia do Sul reafirmou seu compromisso com este objetivo, anunciando que está empenhado em promulgar uma legislação especial. O objetivo dessa lei é assegurar o apoio à aquisição de submarinos de propulsão nuclear de maneira estável e sistemática. O Ministério eleva o programa de submarinos nucleares à categoria de projeto estratégico nacional, sublinhando que tal empreendimento demandará não apenas grandes investimentos orçamentários a longo prazo, mas também um esforço nacional contínuo e coordenado.

A necessidade de um novo arcabouço legal surge porque a legislação vigente no país foi concebida exclusivamente para o setor de energia nuclear civil. Diante da natureza e dos requisitos específicos do uso militar da energia nuclear, o Ministério considera indispensável estabelecer um marco regulatório abrangente e dedicado, que contemple aspectos de segurança, controle e conformidade internacional, distinguindo-se claramente das diretrizes aplicáveis à geração de energia ou pesquisa civil.

O histórico interesse sul-coreano e a resposta às ameaças

A ambição da Coreia do Sul por submarinos nucleares, contudo, não é recente. Há algum tempo, o país tem demonstrado interesse crescente nesta capacidade. Uma evidência palpável desse interesse foi a exibição de um novo conceito de submarino pela Hanwha Ocean, um dos principais estaleiros e empresas de defesa sul-coreanas, durante a MADEX 2025. Esta exposição naval, realizada em Busan entre 28 e 30 de maio do ano anterior, serviu como palco para a apresentação de avanços tecnológicos navais.

Na ocasião, um modelo em escala do que foi denominado “Future Submarine” (Submarino do Futuro) foi exibido, acompanhado de um painel gráfico que listava as “necessidades do cliente” em termos de opções de propulsão. Entre as escolhas apresentadas, a propulsão nuclear figurava como uma alternativa viável, juntamente com os sistemas convencionais diesel-elétricos, que atualmente equipam toda a frota de submarinos da Marinha da República da Coreia (ROKN). A inclusão da opção nuclear reforça a seriedade da consideração de Seul sobre esta tecnologia, que oferece vantagens significativas em termos de autonomia, velocidade e discrição operacional em comparação com os modelos convencionais.

Dentro da Coreia do Sul, há uma corrente de pensamento que considera a aquisição de submarinos de propulsão nuclear como um desenvolvimento inevitável para a segurança nacional. No entanto, fontes da indústria naval, conforme relatado ao portal Naval News, sugeriram cautela, indicando que a Coreia do Sul provavelmente não seria o primeiro país a introduzir esta tecnologia em seus submarinos de forma unilateral. A razão principal para essa hesitação reside na preocupação de que tal movimento seria percebido como excessivamente provocador por sua beligerante vizinha do norte, a Coreia do Norte, o que poderia agravar as tensões regionais.

Essa dinâmica de contenção, porém, tem sido desafiada pelas recentes ações de Pyongyang. Em março de 2023, a Coreia do Norte anunciou o lançamento de um submarino nuclear armado com mísseis, uma clara escalada em suas capacidades militares. Posteriormente, em dezembro de 2025, Pyongyang revelou seu submarino balístico de propulsão nuclear, com imagens estatais mostrando-o em um estágio avançado de construção. Estima-se que esta embarcação desloque mais de 8.000 toneladas e seja capaz de transportar dez mísseis balísticos, o que representa uma ameaça estratégica significativa.

A posse de tais submarinos pela Coreia do Norte impõe a Seul uma reavaliação séria de sua postura de defesa, forçando a consideração de uma resposta equivalente, incluindo o desenvolvimento de seus próprios submarinos de propulsão nuclear para manter o equilíbrio estratégico e a capacidade de dissuasão na península coreana.

O conceito "future submarine" da Hanwha Ocean

O modelo do “Future Submarine” apresentado na MADEX 2025 teve como propósito ilustrar as direções que a Hanwha Ocean planeja seguir no desenvolvimento de submarinos. A embarcação conceitual incorpora uma série de avanços tecnológicos notáveis, como um propulsor “rim-driven”. Este sistema, que difere dos propulsores tradicionais com cubo central, é projetado para reduzir a cavitação, fenômeno que gera bolhas e, consequentemente, diminui a assinatura acústica da embarcação. Embora a ausência de um cubo central no design “rimless-driven” contribua para a redução de ruído, uma desvantagem significativa é o alto custo associado à sua fabricação, o que pode impactar a viabilidade econômica do projeto.

Além do sistema de propulsão inovador, o “Future Submarine” apresenta um leme em formato de “X”, que melhora a manobrabilidade e o controle em diversas condições de profundidade. Adicionalmente, possui planos de proa retráteis, que auxiliam no desempenho de mergulho e na hidrodinâmica submersa. A discrição e a baixa assinatura acústica são temas dominantes em todo o conceito de design, evidenciados pela incorporação de um revestimento acústico de dupla camada, projetado para absorver e dispersar o som, tornando o submarino mais difícil de detectar.

Outras características propostas para o design incluem uma câmara de saída para mergulhadores (diver lockout). Esta funcionalidade permite o desdobramento e o retorno de operadores de forças especiais e de veículos submarinos autônomos (AUVs), expandindo as capacidades de missão da embarcação para operações secretas e de reconhecimento. A integração de oportunidades de colaboração entre equipes tripuladas e não tripuladas (manned-unmanned teaming – MUM-T) é um pilar central do design, visando otimizar a eficiência operacional e a segurança da tripulação.

A forma do casco é elegante e aerodinâmica, contribuindo para a redução do arrasto e a melhoria da furtividade. Inclui um sonar de flanco de matriz expansível, o que potencializa as capacidades de detecção passiva de alvos. A vela, a estrutura proeminente no topo do casco, é notavelmente baixa, com um mastro eletro-óptico que oferece uma visão de 360º. Essa tecnologia elimina a necessidade de o operador no centro de comando de combate integrado girar um periscópio tradicional, pois o ambiente circundante é capturado e exibido imediatamente em todas as direções, proporcionando uma consciência situacional superior.

O design também prevê uma seção de lançamento vertical de mísseis de tamanho considerável (VLS), o que sugere uma capacidade robusta de armamento e flexibilidade para diferentes tipos de mísseis. Para o lançamento de torpedos e outros objetos dos tubos de proa, uma nova tecnologia seria empregada para garantir um lançamento mais silencioso, preservando a discrição operacional. Além disso, um sistema de gerenciamento de combate baseado em inteligência artificial (IA) seria integrado para otimizar as operações e reduzir os requisitos de tripulação, aumentando a autonomia da embarcação.

Um porta-voz da Hanwha Ocean, em entrevista ao Naval News, enfatizou que o design ainda é conceitual, mas assegurou que, caso a Marinha da República da Coreia (ROKN) expressasse interesse em uma embarcação com tais características, seria tecnicamente viável realizá-la, desde que houvesse tempo suficiente para desenvolvimento e produção.

Dessa forma, o “Future Submarine” deve ser encarado, em sua essência, como uma vitrine de novas tecnologias que podem, eventualmente, ser incorporadas em futuros projetos de submarinos sul-coreanos. Naturalmente, com a aprovação tácita do ex-presidente Trump para a transferência de tecnologias nucleares, a possibilidade de um design de propulsão nuclear se fortalece consideravelmente, alinhando as capacidades tecnológicas da Coreia do Sul com suas aspirações estratégicas.

Desafios e o caminho a seguir

Apesar do entusiasmo e dos avanços conceituais, a concretização de um submarino nuclear sul-coreano enfrenta obstáculos. A Hanwha Ocean adquiriu os estaleiros de Filadélfia no final de 2024, mas a situação não é tão simples quanto o anúncio de Trump poderia sugerir. O local adquirido não está equipado para lidar com a construção de submarinos de propulsão nuclear. Além disso, até o momento, não existe um acordo concreto e formalizado entre Seul e Washington DC especificando os termos da colaboração para o desenvolvimento ou a construção de tais embarcações.

Adicionalmente, o ex-chefe de Operações Navais da ROKN, Kang Dong-gil, fez uma declaração no ano anterior, afirmando: “A data de início para o programa de submarinos de propulsão nuclear ainda não foi decidida, mas uma vez que ele…” A declaração incompleta, tal como reportada, sublinha a incerteza e a complexidade que envolvem o cronograma e a formalização deste projeto de alta relevância estratégica para a Coreia do Sul, evidenciando que, apesar das ambições e preparativos, a fase de implementação ainda depende de definições cruciais.

Para se manter atualizado sobre os desenvolvimentos e análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e não perca nenhuma atualização crucial. Sua fonte confiável de informação está sempre em alerta.

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As aspirações da Coreia do Sul em adquirir submarinos de propulsão nuclear receberam um impulso significativo em 29 de outubro de 2025, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o governo norte-americano havia concedido aprovação para Seul construir tais embarcações em solo americano. Essa sinalização dos EUA, um aliado estratégico chave, é fundamental para a Coreia do Sul, dadas as complexidades tecnológicas e as implicações de não proliferação nuclear envolvidas no desenvolvimento de tais capacidades militares, que exigem uma colaboração estreita e a transferência de tecnologia sensível.

Contexto geopolítico e arcabouço legal

Em fevereiro de 2026, o Ministério da Defesa Nacional da Coreia do Sul reafirmou seu compromisso com este objetivo, anunciando que está empenhado em promulgar uma legislação especial. O objetivo dessa lei é assegurar o apoio à aquisição de submarinos de propulsão nuclear de maneira estável e sistemática. O Ministério eleva o programa de submarinos nucleares à categoria de projeto estratégico nacional, sublinhando que tal empreendimento demandará não apenas grandes investimentos orçamentários a longo prazo, mas também um esforço nacional contínuo e coordenado.

A necessidade de um novo arcabouço legal surge porque a legislação vigente no país foi concebida exclusivamente para o setor de energia nuclear civil. Diante da natureza e dos requisitos específicos do uso militar da energia nuclear, o Ministério considera indispensável estabelecer um marco regulatório abrangente e dedicado, que contemple aspectos de segurança, controle e conformidade internacional, distinguindo-se claramente das diretrizes aplicáveis à geração de energia ou pesquisa civil.

O histórico interesse sul-coreano e a resposta às ameaças

A ambição da Coreia do Sul por submarinos nucleares, contudo, não é recente. Há algum tempo, o país tem demonstrado interesse crescente nesta capacidade. Uma evidência palpável desse interesse foi a exibição de um novo conceito de submarino pela Hanwha Ocean, um dos principais estaleiros e empresas de defesa sul-coreanas, durante a MADEX 2025. Esta exposição naval, realizada em Busan entre 28 e 30 de maio do ano anterior, serviu como palco para a apresentação de avanços tecnológicos navais.

Na ocasião, um modelo em escala do que foi denominado “Future Submarine” (Submarino do Futuro) foi exibido, acompanhado de um painel gráfico que listava as “necessidades do cliente” em termos de opções de propulsão. Entre as escolhas apresentadas, a propulsão nuclear figurava como uma alternativa viável, juntamente com os sistemas convencionais diesel-elétricos, que atualmente equipam toda a frota de submarinos da Marinha da República da Coreia (ROKN). A inclusão da opção nuclear reforça a seriedade da consideração de Seul sobre esta tecnologia, que oferece vantagens significativas em termos de autonomia, velocidade e discrição operacional em comparação com os modelos convencionais.

Dentro da Coreia do Sul, há uma corrente de pensamento que considera a aquisição de submarinos de propulsão nuclear como um desenvolvimento inevitável para a segurança nacional. No entanto, fontes da indústria naval, conforme relatado ao portal Naval News, sugeriram cautela, indicando que a Coreia do Sul provavelmente não seria o primeiro país a introduzir esta tecnologia em seus submarinos de forma unilateral. A razão principal para essa hesitação reside na preocupação de que tal movimento seria percebido como excessivamente provocador por sua beligerante vizinha do norte, a Coreia do Norte, o que poderia agravar as tensões regionais.

Essa dinâmica de contenção, porém, tem sido desafiada pelas recentes ações de Pyongyang. Em março de 2023, a Coreia do Norte anunciou o lançamento de um submarino nuclear armado com mísseis, uma clara escalada em suas capacidades militares. Posteriormente, em dezembro de 2025, Pyongyang revelou seu submarino balístico de propulsão nuclear, com imagens estatais mostrando-o em um estágio avançado de construção. Estima-se que esta embarcação desloque mais de 8.000 toneladas e seja capaz de transportar dez mísseis balísticos, o que representa uma ameaça estratégica significativa.

A posse de tais submarinos pela Coreia do Norte impõe a Seul uma reavaliação séria de sua postura de defesa, forçando a consideração de uma resposta equivalente, incluindo o desenvolvimento de seus próprios submarinos de propulsão nuclear para manter o equilíbrio estratégico e a capacidade de dissuasão na península coreana.

O conceito "future submarine" da Hanwha Ocean

O modelo do “Future Submarine” apresentado na MADEX 2025 teve como propósito ilustrar as direções que a Hanwha Ocean planeja seguir no desenvolvimento de submarinos. A embarcação conceitual incorpora uma série de avanços tecnológicos notáveis, como um propulsor “rim-driven”. Este sistema, que difere dos propulsores tradicionais com cubo central, é projetado para reduzir a cavitação, fenômeno que gera bolhas e, consequentemente, diminui a assinatura acústica da embarcação. Embora a ausência de um cubo central no design “rimless-driven” contribua para a redução de ruído, uma desvantagem significativa é o alto custo associado à sua fabricação, o que pode impactar a viabilidade econômica do projeto.

Além do sistema de propulsão inovador, o “Future Submarine” apresenta um leme em formato de “X”, que melhora a manobrabilidade e o controle em diversas condições de profundidade. Adicionalmente, possui planos de proa retráteis, que auxiliam no desempenho de mergulho e na hidrodinâmica submersa. A discrição e a baixa assinatura acústica são temas dominantes em todo o conceito de design, evidenciados pela incorporação de um revestimento acústico de dupla camada, projetado para absorver e dispersar o som, tornando o submarino mais difícil de detectar.

Outras características propostas para o design incluem uma câmara de saída para mergulhadores (diver lockout). Esta funcionalidade permite o desdobramento e o retorno de operadores de forças especiais e de veículos submarinos autônomos (AUVs), expandindo as capacidades de missão da embarcação para operações secretas e de reconhecimento. A integração de oportunidades de colaboração entre equipes tripuladas e não tripuladas (manned-unmanned teaming – MUM-T) é um pilar central do design, visando otimizar a eficiência operacional e a segurança da tripulação.

A forma do casco é elegante e aerodinâmica, contribuindo para a redução do arrasto e a melhoria da furtividade. Inclui um sonar de flanco de matriz expansível, o que potencializa as capacidades de detecção passiva de alvos. A vela, a estrutura proeminente no topo do casco, é notavelmente baixa, com um mastro eletro-óptico que oferece uma visão de 360º. Essa tecnologia elimina a necessidade de o operador no centro de comando de combate integrado girar um periscópio tradicional, pois o ambiente circundante é capturado e exibido imediatamente em todas as direções, proporcionando uma consciência situacional superior.

O design também prevê uma seção de lançamento vertical de mísseis de tamanho considerável (VLS), o que sugere uma capacidade robusta de armamento e flexibilidade para diferentes tipos de mísseis. Para o lançamento de torpedos e outros objetos dos tubos de proa, uma nova tecnologia seria empregada para garantir um lançamento mais silencioso, preservando a discrição operacional. Além disso, um sistema de gerenciamento de combate baseado em inteligência artificial (IA) seria integrado para otimizar as operações e reduzir os requisitos de tripulação, aumentando a autonomia da embarcação.

Um porta-voz da Hanwha Ocean, em entrevista ao Naval News, enfatizou que o design ainda é conceitual, mas assegurou que, caso a Marinha da República da Coreia (ROKN) expressasse interesse em uma embarcação com tais características, seria tecnicamente viável realizá-la, desde que houvesse tempo suficiente para desenvolvimento e produção.

Dessa forma, o “Future Submarine” deve ser encarado, em sua essência, como uma vitrine de novas tecnologias que podem, eventualmente, ser incorporadas em futuros projetos de submarinos sul-coreanos. Naturalmente, com a aprovação tácita do ex-presidente Trump para a transferência de tecnologias nucleares, a possibilidade de um design de propulsão nuclear se fortalece consideravelmente, alinhando as capacidades tecnológicas da Coreia do Sul com suas aspirações estratégicas.

Desafios e o caminho a seguir

Apesar do entusiasmo e dos avanços conceituais, a concretização de um submarino nuclear sul-coreano enfrenta obstáculos. A Hanwha Ocean adquiriu os estaleiros de Filadélfia no final de 2024, mas a situação não é tão simples quanto o anúncio de Trump poderia sugerir. O local adquirido não está equipado para lidar com a construção de submarinos de propulsão nuclear. Além disso, até o momento, não existe um acordo concreto e formalizado entre Seul e Washington DC especificando os termos da colaboração para o desenvolvimento ou a construção de tais embarcações.

Adicionalmente, o ex-chefe de Operações Navais da ROKN, Kang Dong-gil, fez uma declaração no ano anterior, afirmando: “A data de início para o programa de submarinos de propulsão nuclear ainda não foi decidida, mas uma vez que ele…” A declaração incompleta, tal como reportada, sublinha a incerteza e a complexidade que envolvem o cronograma e a formalização deste projeto de alta relevância estratégica para a Coreia do Sul, evidenciando que, apesar das ambições e preparativos, a fase de implementação ainda depende de definições cruciais.

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