A gigante italiana de defesa Leonardo tem como meta principal concretizar sua há muito planejada joint venture (JV) de aeroestruturas com um parceiro ainda não revelado até o mês de junho. Segundo o CEO Roberto Cingolani, a promessa é que a nova empresa se posicione entre as três maiores do mundo em seu segmento. Esta movimentação estratégica visa, sobretudo, revitalizar a unidade de aeroestruturas civis da companhia, que tem enfrentado desafios e perdas nos últimos anos, enquanto capitaliza o crescimento global nos gastos com defesa.
O perfil estratégico do parceiro na nova empreitada
Em sua comunicação com analistas, o CEO Cingolani descreveu o parceiro estratégico como uma entidade que combina capacidades financeiras e industriais robustas. Essa dualidade é crucial, pois permite à joint venture não apenas acesso a capital significativo para investimentos, mas também a uma demanda consolidada por componentes essenciais para a aviação civil e militar, além de rotorcrafts – aeronaves de asas rotativas como helicópteros – com potencial de expansão para o setor espacial em um futuro próximo. A escolha de um parceiro com forte demanda assegura um mercado inicial substancial para os produtos da nova JV. No cenário da indústria, rumores amplamente divulgados apontam para o fundo soberano da Arábia Saudita como o possível interessado nas negociações para integrar a unidade, o que sublinha a dimensão internacional da busca por novos mercados e capacidades.
Contexto financeiro e o desempenho recente da Leonardo
O anúncio dos planos para a joint venture foi feito durante uma teleconferência com analistas, na qual a Leonardo divulgou seus resultados preliminares para 2025. A empresa reportou novas encomendas no valor de €23,8 bilhões (aproximadamente US$28,09 bilhões), o que representa um aumento de 14,5% e superou as projeções de mercado. Grande parte desse sucesso é atribuída ao envolvimento da companhia no programa GCAP (Global Combat Air Programme), um esforço internacional para desenvolver uma aeronave de combate de sexta geração, que impulsiona investimentos significativos no setor de defesa e tecnologia aeroespacial. As receitas da Leonardo também apresentaram um crescimento de 11%, atingindo €19,5 bilhões, superando as metas e refletindo o cenário de aumento dos gastos com defesa em diversas regiões do mundo. Contudo, essa performance robusta contrasta com a situação da unidade de aeroestruturas civis da Leonardo, que tem sido deficitária nos últimos anos, impactada diretamente pela desaceleração na produção do Boeing 787, aeronave para a qual a Leonardo é uma fornecedora essencial de estruturas e componentes críticos.
Estrutura, cronograma e transferência tecnológica da joint venture
Inicialmente, o CEO Cingolani havia indicado que o acordo para a joint venture seria finalizado até o final de 2025. Entretanto, em uma atualização mais recente, ele informou aos analistas que a expectativa é que a concretização ocorra agora até junho, data em que expira uma cláusula de exclusividade nas negociações. A concepção prevê a criação de uma empresa internacional com participação inicial de 50-50 entre a Leonardo e seu parceiro. O modelo flexível permite que o parceiro aumente sua participação progressivamente, à medida que o treinamento de pessoal é concluído, novos componentes são certificados e as atividades são gradualmente transferidas da Leonardo. Esta abordagem escalonada busca garantir uma transição suave e eficiente, minimizando interrupções. A Leonardo planeja transferir parte de sua tecnologia para as instalações do parceiro, otimizando a integração e a produção conjunta. Cingolani projeta que o mercado de aeroestruturas da Leonardo pode triplicar de tamanho graças a esta joint venture, abrindo caminho para o acesso a grandes mercados no domínio do parceiro e solidificando a meta ambiciosa de estar entre os três maiores players globais. O CEO antecipa um impacto financeiro positivo no balanço patrimonial da empresa já em 2026.
Outras movimentações estratégicas: aquisição de IDV e parceria com Rheinmetall
Paralelamente aos desenvolvimentos na área de aeroestruturas, a Leonardo está finalizando a aquisição da Iveco Defence Vehicles (IDV), uma fabricante italiana de veículos de defesa iniciada no ano anterior. Dentro dessa reestruturação estratégica, a Leonardo já está em discussões avançadas para vender a unidade de caminhões militares da IDV para a Rheinmetall, uma das principais empresas alemãs do setor de defesa. Esta unidade de caminhões é considerada um ativo valioso, com margens de lucro atrativas, variando entre 12% e 13%, e possui uma carteira de pedidos substancial, o que a torna um alvo interessante para a Rheinmetall. A relação entre Leonardo e Rheinmetall é estratégica e já se mostra consolidada em outros projetos de grande porte no setor de defesa. As duas empresas estão colaborando na construção de 1.050 novos veículos de combate de infantaria para o exército italiano, baseados na plataforma Lynx da Rheinmetall. Além disso, planejam desenvolver 132 tanques, utilizando como base o Panther KF51, um modelo de tanque avançado que a Rheinmetall tem em fase de desenvolvimento. Essas parcerias reforçam a posição da Leonardo como um player chave no cenário de defesa europeu e global.
As ações estratégicas da Leonardo sublinham uma diretriz focada na otimização de seu portfólio, na busca por mercados expandidos através de parcerias estratégicas e na capitalização do crescente investimento global em defesa. Para acompanhar de perto as últimas análises sobre a indústria de defesa, inovações tecnológicas e os movimentos geopolíticos que moldam o cenário global, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado com nosso conteúdo especializado e aprofundado.










