O Exército dos EUA está implementando uma reavaliação fundamental de suas táticas de combate blindado, impulsionado pelas lições observadas no conflito na Ucrânia. No Fort Stewart, Geórgia, soldados como o Especialista Lathan Thomley, inicialmente recrutado como batedor de cavalaria, estão na vanguarda dessa transformação. Thomley agora dedica horas significativas à pilotagem de drones em simuladores e em voos reais sobre as áreas de treinamento da base, uma clara indicação da evolução das missões de reconhecimento e vigilância em um cenário de guerra moderno.
A iniciativa "Transformation in Contact" (TIC)
Essa iniciativa é parte integrante do programa "Transformation in Contact" (TIC) da 2ª Equipe de Combate da Brigada Blindada (2ABCT). O TIC representa uma abordagem inovadora, onde militares de patentes mais baixas, atuando diretamente no terreno, são os principais responsáveis por experimentar novas capacidades de drones. Sua experiência e feedback são cruciais para moldar a doutrina do Exército a partir de uma perspectiva operacional, em contraste com o modelo tradicional que historicamente se baseia em diretrizes de comando superiores. Em brigadas blindadas, que tradicionalmente dependem de tanques e poder de fogo pesado, essa estratégia reflete a urgência de repensar o movimento e a sobrevivência das formações em um campo de batalha cada vez mais saturado por vigilância aérea.
Metodologia de treinamento inovadora
Os soldados selecionados internamente para o programa no Fort Stewart iniciam seu treinamento em programas de simulação de computador de uso comum antes de progredir para voos com equipamentos reais. Segundo Thomley, o treinamento inicial utiliza um aplicativo de jogo chamado Liftoff, onde os operadores aprendem a controlar drones em um ambiente virtual. "Nós realmente treinamos em computadores comuns — é um pequeno aplicativo de jogo chamado Liftoff — e você pilota drones lá", explicou Thomley, enquanto demonstrava as capacidades de um pequeno quadricóptero de reconhecimento em um dia atipicamente fresco na Geórgia. Ele acrescentou que "a partir disso, você aprende como um drone se move e como precisa angulá-lo para fazê-lo ir de uma certa maneira". Liftoff é um simulador de voo de drones comercialmente disponível que permite a todos os tipos de usuários pilotar drones em visão em primeira pessoa (FPV). Ele pode ser adquirido na Steam, uma plataforma de jogos digital acessível tanto a militares quanto a civis, o que facilita a aquisição e o treinamento contínuo.
Imersão e desafios da visão em primeira pessoa (FPV)
A visão em primeira pessoa permite que o soldado visualize e dirija o drone como se estivesse voando na sua parte frontal, oferecendo uma experiência imersiva, porém desafiadora. Os soldados no Fort Stewart têm sido treinados para pilotar utilizando óculos especiais, uma prática que pode ser desorientadora e até mesmo induzir náuseas devido ao movimento. Thomley descreveu a dificuldade inicial: "Os controles são invertidos, então é muito confuso no começo." Para fazer o drone subir, por exemplo, o operador precisa mover o controle para baixo, e vice-versa. Somente após dominar a pilotagem no simulador, o soldado é autorizado a praticar com drones reais.
Uma ruptura com o modelo tradicional do Exército
Essa metodologia representa um afastamento significativo do modelo de treinamento convencional do Exército. Historicamente, novas capacidades e tecnologias eram introduzidas através de escolas formais e programas padronizados antes de serem distribuídas às unidades operacionais. No âmbito da iniciativa TIC, os soldados testam a tecnologia primeiramente e moldam seu uso antes que a doutrina oficial e os processos de aquisição sejam formalizados. Brigadas específicas recebem acesso a inovações emergentes, como drones avançados, equipamentos de guerra eletrônica e novos dispositivos de comunicação. As modificações nas capacidades de drones dentro da brigada são informadas diretamente pelo feedback dos operadores, que influenciam as decisões sobre como o equipamento é empregado, a quantidade de equipamentos a serem utilizados e como os drones se integram ao combate centrado em blindados.
As lições da Ucrânia e o futuro da guerra blindada
Ao contrário do treinamento de armamento tradicional, que segue uma progressão padronizada, a instrução de drones ainda está em constante evolução. Thomley, por exemplo, não frequentou uma escola formal de drones, mas se voluntariou para experimentar as novas capacidades da brigada quando a oportunidade surgiu. A 2ABCT, por sua vez, integra a segunda iteração do programa TIC, que está reorientando seu foco para as Equipes de Combate da Brigada Blindada e ativos de nível de divisão, com o objetivo de aplicar as lições extraídas da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Esse período de experimentação ocorre enquanto os líderes do Exército analisam profundamente como os drones alteraram drasticamente o campo de batalha em conflitos internacionais, onde ambos os lados empregam veículos aéreos não tripulados (VANTs) para reconhecimento e ataques.
O coronel Alexis Perez-Cruz, comandante da brigada, enfatizou a relevância global do conflito: "Quando se fala em observar nossos adversários em todo o mundo, todos estão observando as batalhas na Ucrânia." Perez-Cruz acrescentou que o Exército — e a comunidade blindada em particular — está constantemente estudando o conflito para antecipar como as novas tecnologias transformarão futuras guerras. Ele questiona: "Como usamos nossa imaginação para olhar para o futuro e sermos capazes de lutar da maneira que estamos vendo lá fora, e imaginando como seremos capazes de lutar em operações de combate em larga escala?" Para soldados como Thomley, essa mudança representa um novo conjunto de habilidades adicionado à missão tradicional da cavalaria: identificar e compreender o campo de batalha antes do inimigo. Contudo, em vez de binóculos pressionados contra olhos cansados espiando de uma trincheira, essa visão é cada vez mais obtida por uma câmera montada em um drone, pairando a centenas de metros de altitude.
Esta análise detalhada sublinha a dinâmica transformação da guerra moderna. Para continuar acompanhando as profundas reflexões e atualizações sobre defesa, geopolítica e segurança, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e esteja sempre à frente na compreensão dos conflitos globais e suas implicações estratégicas.










