Em 15 de fevereiro, a Aviação de Transporte da Força Aérea Brasileira (FAB) marcou seu voo mais longo: 18 horas e 45 minutos sem escalas de Nova Deli a Brasília, realizado pelo C-30 (Airbus A330) do Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte (2º/2º GT), o “Esquadrão Corsário”. No entanto, a Aviação de Patrulha da FAB detém recordes históricos de permanência no ar ainda mais notáveis, demonstrando há décadas a elevada capacidade e resistência de suas tripulações e aeronaves em missões de longa duração, refletindo um preparo operacional de excelência.
Os recordes do P-15 Neptune: pioneirismo na patrulha sul-americana
O Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV), o “Esquadrão Orungan”, foi pioneiro ao quebrar por duas vezes o recorde sul-americano de duração de voo. Em 8 e 9 de dezembro de 1961, o FAB 7013, um avião de patrulha Lockheed P2V-5 Neptune, designado na FAB como P-15, realizou um voo de Porto Alegre (RS) a Belém (PA), que durou impressionantes 24 horas e 35 minutos no ar. Anos depois, em 22 e 23 de julho de 1967, o FAB 7011, outro P-15, superou a própria marca com uma missão de 25 horas e 15 minutos entre Porto Alegre e Santa Cruz, no Rio de Janeiro (RJ), estabelecendo um novo recorde que sublinhou a resiliência operacional da aviação de patrulha da FAB e a capacidade de suas tripulações para missões estendidas na década de 1960.

Transição e modernização: do P-15 ao P-95 Bandeirulha
O último voo operacional dos aparelhos P-15 no Brasil foi do Netuno de matrícula FAB 7009, em 3 de setembro de 1976, na Base Aérea de Salvador (BASV). Após o pouso, a aeronave foi destinada a um monumento na própria BASV, onde permanece como um símbolo da gloriosa participação dos P-15 na história do 1º/7º GAV e da Aviação de Patrulha. Durante seus 18 anos de operação na Força Aérea Brasileira, os P-15 acumularam um total de 22.761 horas de voo, com o FAB 7009 sendo a aeronave mais utilizada, totalizando 2.790 horas. Após a desativação dos P-15, o 1º/7º GAV enfrentou um período de 18 meses sem material aéreo operacional. Para suprir essa lacuna, o então Comando Costeiro (COMCOS) determinou que o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), unidade de Busca e Salvamento (SAR) com aeronaves Grumman SA-16A Albatroz sediadas em Florianópolis, Santa Catarina (SC), assumisse temporariamente as atividades. Em 1976, o Esquadrão recebeu C-95 executivos (FAB 2187 e 2188) para o adestramento e capacitação dos aeronavegantes. A efetiva renovação da frota ocorreu em abril de 1978, com a integração dos P-95 Bandeirulha ao 1º/7º GAV, impulsionando a capacidade operacional e a independência tecnológica da aviação de patrulha brasileira.
A aviação de patrulha atual: P-95 Bandeirulha e P-3AM Orion
Atualmente, a FAB emprega o P-95 Bandeirulha e o P-3AM Orion em suas missões de patrulha, aeronaves reconhecidas por seu longo alcance e grande autonomia, características essenciais para monitorar a vasta área de responsabilidade do Brasil no Oceano Atlântico. Para tanto, a FAB conta com três Esquadrões de Patrulha estrategicamente distribuídos ao longo da costa: o Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1°/7°GAV) – o “Esquadrão Orungan”, sediado no Rio de Janeiro, opera os P-3AM Orion; o Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7°GAV) – o “Esquadrão Phoenix”, localizado em Canoas, no Rio Grande do Sul (RS), e o Terceiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (3º/7°GAV) – o “Esquadrão Netuno”, com base em Belém, no Pará (PA), operam os P-95M Bandeirulha. O “Esquadrão Orungan”, sendo o mais antigo, cumpre diversas missões, incluindo Ações de Patrulha Marítima (PATMAR), Busca e Salvamento (SAR), Controle Aéreo Avançado (CAA), Posto de Comunicação Aeroespacial (P Com-Aepc), Reconhecimento Aeroespacial (Rec Aepc) e, crucialmente, Guerra Antissubmarino (ASW). Esta última, fundamental à defesa de interesses marítimos, visa detectar, identificar e neutralizar submarinos inimigos, ressaltando a complexidade estratégica dessas operações para a segurança nacional.
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