A marinha dos EUA busca míssil antirradar de nova geração para F-18 e F-35

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A marinha dos EUA busca míssil antirradar de nova geração para F-18 e F-35

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A Marinha dos Estados Unidos está em busca de uma nova geração de mísseis antirradar, com requisitos de alcance significativamente superior às armas existentes em seu arsenal. A iniciativa, detalhada em um aviso de “Sources Sought” (Busca de Fontes) da Marinha, especifica o desenvolvimento de um Míssil Avançado de Supressão de Emissões, ou AESM (Advanced Emission Suppression Missile). Este armamento deve apresentar compatibilidade plena com as plataformas de lançamento atualmente em serviço, como as aeronaves F/A-18 Super Hornet e F-35 Lightning II, bem como com a infraestrutura logística e de suporte que atualmente atende o inventário de mísseis guiados antirradar da Marinha e da Força Aérea.

A necessidade estratégica de um míssil de longo alcance

A demanda por um míssil com maior alcance é um indicativo da evolução das ameaças e das capacidades de defesa aérea adversárias. Sistemas de radar modernos são projetados para otimizar sua capacidade de detecção e rastreamento, ao mesmo tempo em que minimizam sua vulnerabilidade a ataques de armas antirradar. Nesse cenário, um míssil com alcance estendido permite que as aeronaves de ataque e supressão de defesas aéreas inimigas (SEAD/DEAD) operem de distâncias mais seguras, fora do envelope de engajamento de muitos sistemas de defesa antiaérea, aumentando a survivabilidade das tripulações e aeronaves e a eficácia das operações.

O aviso da Marinha, embora não mencione explicitamente a substituição do míssil AGM-88 High Speed Anti-Radiation Missile (HARM) ou do mais recente AGM-88G Advanced Anti-Radiation Guided Missile Extended Range (AARGM-ER), deixa clara a necessidade de um míssil antirradar com um alcance superior ao que está atualmente disponível. O HARM, introduzido na década de 1980 e ainda em uso operacional, inclusive pela Ucrânia em contextos recentes, possui um alcance máximo de aproximadamente 80 milhas (cerca de 130 quilômetros), dependendo da altitude de lançamento da aeronave. O AARGM-ER, que está em fase de testes de tiro real, é estimado para ter um alcance significativamente maior, e o AESM proposto visa superar inclusive essa capacidade.

Capacidades tecnológicas e operacionais do AESM

Para enfrentar os desafios dos sistemas de radar modernos, o AESM deve incorporar uma série de características avançadas. A Marinha especifica que o míssil deve possuir um sistema de busca (seeker) com ampla cobertura de frequência, essencial para detectar e engajar radares que operam em diferentes bandas ou que mudam de frequência rapidamente para evitar detecção e bloqueio. Além disso, a orientação do míssil deverá ser auxiliada por sistemas GPS e INS (Sistema de Navegação Inercial), complementados por capacidades de navegação alternativas que possam funcionar de forma eficaz mesmo sob intensas ações de guerra eletrônica e técnicas de bloqueio (jamming), garantindo a precisão do ataque em ambientes contestados.

Outro requisito fundamental é a capacidade de engajar alvos tanto no ar quanto em terra. Essa versatilidade operacional ampliaria o espectro de missões do míssil, permitindo-lhe atuar contra plataformas aéreas com capacidades de radar e não apenas contra sistemas de defesa antiaérea baseados em solo. Adicionalmente, a Marinha mencionou o “potencial para capacidades de mira preemptiva” (pre-emptive targeting capabilities), o que sugere uma habilidade de antecipar a ativação de radares ou atacar alvos com base em inteligência de sinais, antes mesmo que emitam ativamente, aumentando a letalidade e a surpresa tática.

Integração de plataformas e cronograma de aquisição

A integração do AESM está planejada para as aeronaves existentes da frota, como os caças F/A-18E/F Super Hornet, as aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler e os caças furtivos F-35. A decisão de incorporar uma arquitetura aberta no design do míssil é estratégica, pois permitirá que o AESM seja facilmente adaptado e lançado por futuros modelos de aeronaves, garantindo a longevidade e a adaptabilidade da arma em um cenário de rápida evolução tecnológica. Quanto ao nível de maturidade tecnológica, o AESM deve ter um TRL (Technology Readiness Level) mínimo de 7, indicando que um protótipo está pronto para demonstração em um ambiente operacional relevante.

A Marinha projeta a aquisição de até 300 mísseis por ano, com a expectativa de que o armamento seja implementado e operacionalizado dentro de dois anos após a adjudicação do contrato. O prazo para apresentação de propostas de fornecedores está definido para 18 de março de 2026. Este cronograma ambicioso reflete a urgência em modernizar as capacidades de supressão de defesas aéreas para manter a superioridade aérea em conflitos futuros.

A busca pelo AESM sublinha o compromisso contínuo da Marinha dos EUA em aprimorar suas capacidades de guerra eletrônica e ataque de precisão. Este desenvolvimento é crucial para assegurar a liberdade de manobra em ambientes aéreos complexos e desafiadores, consolidando a vantagem tecnológica e operacional frente a sistemas de defesa aérea cada vez mais sofisticados. Para continuar acompanhando as análises mais aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado.

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A Marinha dos Estados Unidos está em busca de uma nova geração de mísseis antirradar, com requisitos de alcance significativamente superior às armas existentes em seu arsenal. A iniciativa, detalhada em um aviso de “Sources Sought” (Busca de Fontes) da Marinha, especifica o desenvolvimento de um Míssil Avançado de Supressão de Emissões, ou AESM (Advanced Emission Suppression Missile). Este armamento deve apresentar compatibilidade plena com as plataformas de lançamento atualmente em serviço, como as aeronaves F/A-18 Super Hornet e F-35 Lightning II, bem como com a infraestrutura logística e de suporte que atualmente atende o inventário de mísseis guiados antirradar da Marinha e da Força Aérea.

A necessidade estratégica de um míssil de longo alcance

A demanda por um míssil com maior alcance é um indicativo da evolução das ameaças e das capacidades de defesa aérea adversárias. Sistemas de radar modernos são projetados para otimizar sua capacidade de detecção e rastreamento, ao mesmo tempo em que minimizam sua vulnerabilidade a ataques de armas antirradar. Nesse cenário, um míssil com alcance estendido permite que as aeronaves de ataque e supressão de defesas aéreas inimigas (SEAD/DEAD) operem de distâncias mais seguras, fora do envelope de engajamento de muitos sistemas de defesa antiaérea, aumentando a survivabilidade das tripulações e aeronaves e a eficácia das operações.

O aviso da Marinha, embora não mencione explicitamente a substituição do míssil AGM-88 High Speed Anti-Radiation Missile (HARM) ou do mais recente AGM-88G Advanced Anti-Radiation Guided Missile Extended Range (AARGM-ER), deixa clara a necessidade de um míssil antirradar com um alcance superior ao que está atualmente disponível. O HARM, introduzido na década de 1980 e ainda em uso operacional, inclusive pela Ucrânia em contextos recentes, possui um alcance máximo de aproximadamente 80 milhas (cerca de 130 quilômetros), dependendo da altitude de lançamento da aeronave. O AARGM-ER, que está em fase de testes de tiro real, é estimado para ter um alcance significativamente maior, e o AESM proposto visa superar inclusive essa capacidade.

Capacidades tecnológicas e operacionais do AESM

Para enfrentar os desafios dos sistemas de radar modernos, o AESM deve incorporar uma série de características avançadas. A Marinha especifica que o míssil deve possuir um sistema de busca (seeker) com ampla cobertura de frequência, essencial para detectar e engajar radares que operam em diferentes bandas ou que mudam de frequência rapidamente para evitar detecção e bloqueio. Além disso, a orientação do míssil deverá ser auxiliada por sistemas GPS e INS (Sistema de Navegação Inercial), complementados por capacidades de navegação alternativas que possam funcionar de forma eficaz mesmo sob intensas ações de guerra eletrônica e técnicas de bloqueio (jamming), garantindo a precisão do ataque em ambientes contestados.

Outro requisito fundamental é a capacidade de engajar alvos tanto no ar quanto em terra. Essa versatilidade operacional ampliaria o espectro de missões do míssil, permitindo-lhe atuar contra plataformas aéreas com capacidades de radar e não apenas contra sistemas de defesa antiaérea baseados em solo. Adicionalmente, a Marinha mencionou o “potencial para capacidades de mira preemptiva” (pre-emptive targeting capabilities), o que sugere uma habilidade de antecipar a ativação de radares ou atacar alvos com base em inteligência de sinais, antes mesmo que emitam ativamente, aumentando a letalidade e a surpresa tática.

Integração de plataformas e cronograma de aquisição

A integração do AESM está planejada para as aeronaves existentes da frota, como os caças F/A-18E/F Super Hornet, as aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler e os caças furtivos F-35. A decisão de incorporar uma arquitetura aberta no design do míssil é estratégica, pois permitirá que o AESM seja facilmente adaptado e lançado por futuros modelos de aeronaves, garantindo a longevidade e a adaptabilidade da arma em um cenário de rápida evolução tecnológica. Quanto ao nível de maturidade tecnológica, o AESM deve ter um TRL (Technology Readiness Level) mínimo de 7, indicando que um protótipo está pronto para demonstração em um ambiente operacional relevante.

A Marinha projeta a aquisição de até 300 mísseis por ano, com a expectativa de que o armamento seja implementado e operacionalizado dentro de dois anos após a adjudicação do contrato. O prazo para apresentação de propostas de fornecedores está definido para 18 de março de 2026. Este cronograma ambicioso reflete a urgência em modernizar as capacidades de supressão de defesas aéreas para manter a superioridade aérea em conflitos futuros.

A busca pelo AESM sublinha o compromisso contínuo da Marinha dos EUA em aprimorar suas capacidades de guerra eletrônica e ataque de precisão. Este desenvolvimento é crucial para assegurar a liberdade de manobra em ambientes aéreos complexos e desafiadores, consolidando a vantagem tecnológica e operacional frente a sistemas de defesa aérea cada vez mais sofisticados. Para continuar acompanhando as análises mais aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado.

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