A Força Aérea dos EUA anunciou na última terça-feira (data original não fornecida, mas inferida como recente pelo contexto) que o seu míssil nuclear de próxima geração, o LGM-35A Sentinel, deverá atingir a capacidade operacional inicial no início da década de 2030. Esta projeção segue uma revisão abrangente do plano de aquisição do programa, que tem sido alvo de preocupações devido ao seu orçamento excedido, e que se prevê ser concluída até ao final do ano em curso.
Substituição do Minuteman III e desafios orçamentários
O míssil balístico intercontinental Sentinel, desenvolvido pela Northrop Grumman, foi concebido para substituir os antigos mísseis Minuteman III da era da Guerra Fria. Estes últimos foram introduzidos há mais de meio século e, atualmente, excederam significativamente a sua vida útil esperada, tornando a sua modernização uma prioridade estratégica para a segurança nacional dos EUA. A substituição visa garantir a sustentabilidade e a credibilidade da capacidade de dissuasão nuclear do país frente aos desafios geopolíticos contemporâneos.
No entanto, o programa Sentinel enfrentou um aumento substancial nos custos. Inicialmente estimado em aproximadamente 77,7 bilhões de dólares, o valor projetado disparou para cerca de 160 bilhões de dólares, mais do que o dobro da estimativa original. Este crescimento deveu-se, em grande parte, ao encarecimento da construção de uma vasta e complexa rede de silos de mísseis e centros de controle de lançamento. Essas infraestruturas críticas estão espalhadas por milhares de quilômetros na vasta região das Grandes Planícies, exigindo investimentos significativos em engenharia e logística. A Força Aérea dos EUA confirmou que os mísseis nucleares Sentinel necessitarão de novos silos para a sua operação, o que adiciona um componente considerável aos custos totais do projeto.
Violação Nunn-McCurdy e reestruturação do programa
Diante da escalada dos custos, o Pentágono declarou em janeiro de 2024 uma violação de custo crítica, conhecida como 'Nunn-McCurdy breach'. Este mecanismo legal é acionado quando um programa de aquisição de defesa excede em mais de 25% o seu custo estimado inicialmente, em termos de custo unitário. A declaração da violação levou ao lançamento de um processo de revisão aprofundada do programa Sentinel. Originalmente, a capacidade operacional inicial do Sentinel estava prevista para 2029, mas este prazo foi primeiramente adiado para 2030 e, agora, sofreu um novo atraso, reforçando a complexidade e os desafios inerentes à sua implementação.
Em julho de 2024, apesar dos desafios orçamentários, o Pentágono determinou que a substituição do LGM-30G Minuteman III era de importância crítica e inadiável para a segurança nacional dos EUA, inviabilizando o cancelamento do programa Sentinel. Contudo, instruiu a Força Aérea a reestruturar o programa com o objetivo primordial de controlar os custos. Concomitantemente, a aprovação do 'Milestone B' do programa Sentinel, originalmente concedida em setembro de 2020 — que autorizava o avanço para a fase de desenvolvimento de engenharia e manufatura —, foi revogada pelo Pentágono, exigindo uma reavaliação completa antes de prosseguir.
A Força Aérea dos EUA informou que a reestruturação do programa Sentinel está agora projetada para ser concluída até o final de 2026, culminando com uma nova decisão de Milestone B. A força declarou ter alcançado um 'progresso considerável nos últimos 12 a 18 meses' e está a implementar uma 'estratégia de aquisição transformada' que visa agilizar o processo de desenvolvimento. O Secretário da Força Aérea, Troy Meink, reiterou a importância do programa, afirmando em uma publicação que 'modernizar nossa dissuasão nuclear é uma prioridade crítica! O programa Sentinel está em um caminho orientado por dados para entregar essa capacidade, substituindo um sistema da década de 1970 para garantir a paz através da força por décadas'.
Criação do DRPM para gestão de programas críticos
Em agosto do ano passado (2025, de acordo com o tweet de 2026), o Secretário de Defesa Pete Hegseth instituiu uma nova posição estratégica: o gerente de portfólio de relatórios diretos, ou DRPM (Direct Reporting Portfolio Manager). Este cargo foi criado especificamente para supervisionar os principais programas da Força Aérea considerados críticos, abrangendo não apenas o Sentinel e o Minuteman III, mas também o caça de sexta geração F-47 e o bombardeiro furtivo B-21 Raider. A intenção por trás da criação do DRPM é otimizar a gestão e acelerar a entrega de capacidades militares essenciais em larga escala.
O general Dale White, nomeado para a função de DRPM, tem como objetivo principal 'cortar a burocracia' e tomar decisões de forma mais ágil, garantindo a rápida entrega de capacidades significativas. Segundo o general White, o DRPM detém 'autoridade direta para tomar decisões, informado por inputs integrados em toda a empresa e em alinhamento com as prioridades de missão estabelecidas pelo Secretário de Guerra e pelo Secretário da Força Aérea'. Esta estrutura, ele acrescenta, 'permite resolver trade-offs rapidamente e agir com a velocidade necessária para entregar uma dissuasão credível, ao mesmo tempo que preserva a disciplina que esta missão exige'. Após assumir a nova função, o general White e a equipe do Sentinel conduziram uma revisão detalhada do programa, concluindo que está no caminho certo para finalizar a fase de reestruturação neste ano e entregar a capacidade inicial no início da década de 2030.
Uma nova estimativa de custo para o programa Sentinel não foi imediatamente disponibilizada. No entanto, um oficial dos EUA informou ao Defense News que o processo de Milestone B tipicamente envolve uma estimativa de custo independente, realizada pelo Escritório de Avaliação de Custos e Avaliação de Programas (CAPE) do Pentágono. O Pentágono já havia indicado em julho de 2024 que o Sentinel poderia custar 140,9 bilhões de dólares com um processo de aquisição reformulado, demonstrando a busca contínua por um equilíbrio entre a necessidade estratégica e a sustentabilidade financeira do projeto.
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