Nascimento de um herói: a Data Magna do CNOR

Único brasileiro a ser agraciado com a Silver Star pelo governo dos Estados Unidos, Maj. Apollo Miguel Rezk escreveu seu nome na história militar mundial.

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Nascimento de um herói: a Data Magna do CNOR

Único brasileiro a ser agraciado com a Silver Star pelo governo dos Estados Unidos, Maj. Apollo Miguel Rezk escreveu seu nome na história militar mundial.

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A data de 9 de fevereiro de 1918 marca o nascimento de um bravo. O Major de Infantaria do Exército Brasileiro, Apollo Miguel Rezk, faria 108 anos. Oficial oriundo do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro – turma de 1939 – convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial, embarcou para a Itália em 20/9/1944, no segundo escalão da FEB, 1º RI – Regimento Sampaio – e transformou-se no combatente brasileiro mais condecorado no teatro de operações da Europa. Entre outras missões, comandou um pelotão de fuzileiros nos ataques a Monte Castelo (12/12/1944 e 21/02/1945) e conquistou La Serra (24/02/1945), em apoio à 10ª Divisão de Montanha norte-americana. Do nosso governo recebeu quatro comendas: Medalha de Sangue (por ferimento em combate), Cruz de Combate de Primeira Classe (em ouro), Medalha de Campanha e Medalha de Guerra. Foi agraciado pelo governo dos Estados Unidos com a Distinguished-Service Cross (por extraordinário heroísmo em combate, único brasileiro a recebê-la) e com a Silver-Star, por suas ações nos ataques ao Monte Castelo.

O Major Apollo Miguel Rezk não é apenas mais um destaque nacional, é nada menos que o maior herói brasileiro da Segunda Guerra Mundial

Apollo Miguel Rezk foi um cidadão brasileiro da melhor estirpe. Na vida civil, formou-se em Contabilidade e Economia. Era um homem de fino trato e esmerada educação. Fomos honrados com a sua amizade. Ao ser convocado para a FEB, exercia as funções de Contador do então Senador Arnon de Melo, pai do ex-presidente da República, Fernando Collor de Melo. Casou-se com a Sra. Ivette Antunes Rezk, com quem teve dois filhos, Nelson (falecido) e Nádia. Sua vocação para a carreira militar ficou evidenciada desde muito cedo. Ex-aluno do Colégio Pedro II, já se destacava pela postura e garbo nos desfiles cívico-escolares. Tentou ingressar, sem sucesso, na Escola Militar do Realengo. Problemas de pés planos e dificuldades em Física inviabilizaram a realização do sonho da carreira militar. Inconformado, Apollo prestou concurso para o CPOR/RJ, onde foi aprovado. Os pés planos e a Física não lograram prejudicar a sua formação. Após um curso de três anos, foi declarado aspirante em 1939 e classificado em 10º lugar entre setenta aspirantes-a-oficiais da Arma de Infantaria.

Mesmo ferido, contra-atacado e cercado, em momento algum pensou em retrair. Revelou bravura, firmeza e acerto de decisão, excepcional calma em presença do inimigo, exata noção de seus deveres em combate, a par de elevado sentimento de honra militar e superior capacidade de sacrifício…” – declarou o Cap Wolfango Teixeira de Mendonça, Cmt da 6ª Cia/II Btl/1º R I, em 1945

O autor com Maj Apollo, único brasileiro a receber a Silver-Star.

Ao retornar da Itália, após uma passagem pelo COR (Curso de Oficiais da Reserva), prosseguiu na carreira militar – como inúmeros outros oficiais R/2 febianos – servindo no Regimento Sampaio até 1947, quando foi transferido para o Batalhão de Guardas. A promoção a Capitão veio em 1951, a contar de 1947. Em 1955, foi movimentado para a 5ª RM e designado Ajudante de Ordens do General Mário Perdigão. O antigo problema de pés planos, agravado pelo congelamento no frio intenso do inverno italiano, conhecido como pé-de-trincheira, deixou-o inapto para o serviço ativo. Em 09 de dezembro de 1957, aos 39 anos, foi promovido a Major e reformado.

O falecimento de sua esposa e uma diabete de difícil controle, seguida de perda da visão, acabaram por abreviar sua heroica existência. Foi um dia de muita tristeza aquele 21 de janeiro de 1999, quando o Senhor dos Exércitos convocou o Major Apollo para as Legiões Celestes. Em seu funeral esteve presente, fardado, um oficial superior da marinha americana, representando o adido militar de seu país. Pouco antes do sepultamento, ao ser informado que o nosso herói, desaparecido aos 81 anos, não fora promovido por bravura, o militar americano dirigiu-se à sua filha Nádia, nos seguintes termos: “não entendo vocês brasileiros. Na minha terra, alguém com as importantes condecorações de guerra do Major Apollo, teria recebido ao longo de sua vida as homenagens, o respeito e a gratidão de seu povo.” Estávamos presentes e ouvimos, num misto de tristeza e constrangimento, a crítica do oficial americano. A cena, inesquecível mesmo decorridos mais de vinte anos, induziu-nos a um compromisso perene de divulgar a história deste herói, esquecido pelo país que tanto amou e a quem serviu com dedicação, bravura e lealdade. Ainda hoje, aos oitenta e cinco anos, persistimos nessa missão. Quem sabe o Exército Brasileiro, ou mesmo o Congresso Nacional, em reconhecimento aos seus feitos heroicos, finalmente, ainda que post mortem, concederá ao Major Apollo Miguel Rezk uma justa promoção por bravura.

Maj Apollo Miguel Rezk foi agraciado pelo governo dos Estados Unidos com a Distinguished-Service Cross.

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A data de 9 de fevereiro de 1918 marca o nascimento de um bravo. O Major de Infantaria do Exército Brasileiro, Apollo Miguel Rezk, faria 108 anos. Oficial oriundo do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro – turma de 1939 – convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial, embarcou para a Itália em 20/9/1944, no segundo escalão da FEB, 1º RI – Regimento Sampaio – e transformou-se no combatente brasileiro mais condecorado no teatro de operações da Europa. Entre outras missões, comandou um pelotão de fuzileiros nos ataques a Monte Castelo (12/12/1944 e 21/02/1945) e conquistou La Serra (24/02/1945), em apoio à 10ª Divisão de Montanha norte-americana. Do nosso governo recebeu quatro comendas: Medalha de Sangue (por ferimento em combate), Cruz de Combate de Primeira Classe (em ouro), Medalha de Campanha e Medalha de Guerra. Foi agraciado pelo governo dos Estados Unidos com a Distinguished-Service Cross (por extraordinário heroísmo em combate, único brasileiro a recebê-la) e com a Silver-Star, por suas ações nos ataques ao Monte Castelo.

O Major Apollo Miguel Rezk não é apenas mais um destaque nacional, é nada menos que o maior herói brasileiro da Segunda Guerra Mundial

Apollo Miguel Rezk foi um cidadão brasileiro da melhor estirpe. Na vida civil, formou-se em Contabilidade e Economia. Era um homem de fino trato e esmerada educação. Fomos honrados com a sua amizade. Ao ser convocado para a FEB, exercia as funções de Contador do então Senador Arnon de Melo, pai do ex-presidente da República, Fernando Collor de Melo. Casou-se com a Sra. Ivette Antunes Rezk, com quem teve dois filhos, Nelson (falecido) e Nádia. Sua vocação para a carreira militar ficou evidenciada desde muito cedo. Ex-aluno do Colégio Pedro II, já se destacava pela postura e garbo nos desfiles cívico-escolares. Tentou ingressar, sem sucesso, na Escola Militar do Realengo. Problemas de pés planos e dificuldades em Física inviabilizaram a realização do sonho da carreira militar. Inconformado, Apollo prestou concurso para o CPOR/RJ, onde foi aprovado. Os pés planos e a Física não lograram prejudicar a sua formação. Após um curso de três anos, foi declarado aspirante em 1939 e classificado em 10º lugar entre setenta aspirantes-a-oficiais da Arma de Infantaria.

Mesmo ferido, contra-atacado e cercado, em momento algum pensou em retrair. Revelou bravura, firmeza e acerto de decisão, excepcional calma em presença do inimigo, exata noção de seus deveres em combate, a par de elevado sentimento de honra militar e superior capacidade de sacrifício…” – declarou o Cap Wolfango Teixeira de Mendonça, Cmt da 6ª Cia/II Btl/1º R I, em 1945

O autor com Maj Apollo, único brasileiro a receber a Silver-Star.

Ao retornar da Itália, após uma passagem pelo COR (Curso de Oficiais da Reserva), prosseguiu na carreira militar – como inúmeros outros oficiais R/2 febianos – servindo no Regimento Sampaio até 1947, quando foi transferido para o Batalhão de Guardas. A promoção a Capitão veio em 1951, a contar de 1947. Em 1955, foi movimentado para a 5ª RM e designado Ajudante de Ordens do General Mário Perdigão. O antigo problema de pés planos, agravado pelo congelamento no frio intenso do inverno italiano, conhecido como pé-de-trincheira, deixou-o inapto para o serviço ativo. Em 09 de dezembro de 1957, aos 39 anos, foi promovido a Major e reformado.

O falecimento de sua esposa e uma diabete de difícil controle, seguida de perda da visão, acabaram por abreviar sua heroica existência. Foi um dia de muita tristeza aquele 21 de janeiro de 1999, quando o Senhor dos Exércitos convocou o Major Apollo para as Legiões Celestes. Em seu funeral esteve presente, fardado, um oficial superior da marinha americana, representando o adido militar de seu país. Pouco antes do sepultamento, ao ser informado que o nosso herói, desaparecido aos 81 anos, não fora promovido por bravura, o militar americano dirigiu-se à sua filha Nádia, nos seguintes termos: “não entendo vocês brasileiros. Na minha terra, alguém com as importantes condecorações de guerra do Major Apollo, teria recebido ao longo de sua vida as homenagens, o respeito e a gratidão de seu povo.” Estávamos presentes e ouvimos, num misto de tristeza e constrangimento, a crítica do oficial americano. A cena, inesquecível mesmo decorridos mais de vinte anos, induziu-nos a um compromisso perene de divulgar a história deste herói, esquecido pelo país que tanto amou e a quem serviu com dedicação, bravura e lealdade. Ainda hoje, aos oitenta e cinco anos, persistimos nessa missão. Quem sabe o Exército Brasileiro, ou mesmo o Congresso Nacional, em reconhecimento aos seus feitos heroicos, finalmente, ainda que post mortem, concederá ao Major Apollo Miguel Rezk uma justa promoção por bravura.

Maj Apollo Miguel Rezk foi agraciado pelo governo dos Estados Unidos com a Distinguished-Service Cross.

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