SISDAC da Imbel no Regimento Mallet: a Artilharia brasileira reconfigura o apoio de fogo moderno

A implantação do SISDAC no 3º GAC AP representa uma etapa significativa na modernização do apoio de fogo do Exército Brasileiro, reafirmando a escolha institucional por soluções tecnológicas nacionais, integradas a processos decisórios e doutrinários modernos.

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SISDAC da Imbel no Regimento Mallet: a Artilharia brasileira reconfigura o apoio de fogo moderno

A implantação do SISDAC no 3º GAC AP representa uma etapa significativa na modernização do apoio de fogo do Exército Brasileiro, reafirmando a escolha institucional por soluções tecnológicas nacionais, integradas a processos decisórios e doutrinários modernos.

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O Exército Brasileiro intensifica a modernização de sua capacidade de apoio de fogo com a implantação do Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC) no 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (3º GAC AP), orgânico da 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer. A iniciativa, prevista para ser concluída até o final do primeiro semestre de 2026, integra navegação, posicionamento, direção de tiro, comunicações e apoio ao comando e controle, com impacto direto na prontidão e na eficácia operacional da artilharia autopropulsada brasileira.

Contexto estratégico e operacional

Os paradigmas do combate terrestre moderno foram redefinidos por confrontos recentes, elevando a Artilharia de Campanha a uma posição de centralidade nos debates estratégicos globais. A análise das operações militares, notadamente aquelas observadas no cenário da guerra na Ucrânia, oferece evidências contundentes de que a capacidade de engajar alvos com precisão e letalidade a longas distâncias está intrinsecamente ligada à sinergia operacional. Tal dependência é manifesta na exigência crescente por uma integração fluida entre as plataformas de sensoriamento e aquisição de alvos, os sistemas de comando e controle responsáveis pela decisão e coordenação tática, e os próprios meios de disparo que materializam o apoio de fogo.

A artilharia de campanha ocupa posição central no combate terrestre moderno, conforme evidenciado em conflitos contemporâneos, nos quais a integração entre sensores, sistemas de comando e controle e meios de tiro se tornou determinante para a resposta de fogos de longo alcance. Essa integração reduz os ciclos de decisão e aumenta a precisão e a previsibilidade do apoio de fogo, requisitos agora incorporados no SISDAC.

A 6ª Brigada de Infantaria Blindada, com quartel-general em Santa Maria (RS), é uma das grandes unidades mais bem equipadas e adestradas da Força Terrestre. Composta por doze organizações militares, incluindo capacidades de manobra, comando e controle, defesa antiaérea, mobilidade, contramobilidade, proteção, apoio de fogo e logístico, a brigada possui vocação para ações decisivas, combinando rapidez, precisão e capacidade de choque.

Obuseiro M109A5+BR do Regimento Mallet, atirando no Campo de Instrução Barão de São Borja.

Evolução tecnológica: do Genesis ao SISDAC

As origens do SISDAC remontam ao Sistema Gênesis, desenvolvido pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) no final do século XX como resposta à necessidade de automatizar processos de direção de tiro que dependiam de cálculos manuais e da experiência individual. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, o Sistema Gênesis foi empregado em instruções e estudos doutrinários, funcionando como um espaço de aprendizado institucional que definiu requisitos para sistemas futuros.

A modernização das viaturas autopropulsadas M109 para a versão M109A5+BR, na década de 2010, elevou o patamar tecnológico da artilharia brasileira, impondo novos desafios em termos de navegação, pontaria e comunicações. Essa necessidade impulsionou o desenvolvimento do SISDAC, que amplia e integra funções essenciais para o ciclo de apoio de fogo, oferecendo maior previsibilidade às guarnições e liberando o comando para decisões táticas e operacionais mais centradas no desempenho e na sincronização das unidades de tiro.

Esquema do SISDAC para emprego em uma Brigada Blindada.

Implicações doutrinárias e institucionais

A incorporação de sistemas digitais como o SISDAC transcende a simples aquisição de equipamentos. Requer preparo especializado de pessoal, atualizações doutrinárias e uma cultura institucional aberta à inovação e ao estudo contínuo. Unidades com tradição no emprego da artilharia, como o Regimento Mallet, exemplificam a integração entre tradição e modernidade, na qual a tecnologia amplia a capacidade de julgamento, precisão e responsabilidade do militar, sem substituí-lo.

Além de seu impacto direto nas capacidades militares, o SISDAC tem relevância estratégica para a Base Industrial de Defesa (BID). Sistemas de comando, controle e direção de tiro são itens de sensibilidade tecnológica elevada, raramente transferidos integralmente por fornecedores estrangeiros. O desenvolvimento nacional dessas soluções contribui para preservar conhecimentos críticos, reduzir vulnerabilidades tecnológicas e criar condições para evoluções futuras alinhadas às necessidades brasileiras.

Obuseiro autopropulsado M109 A5+ BR (Exército Brasileiro)

Com informações do Gen Bda André Luiz de Souza Dias e do TC Flávio Henrique do Nascimento via publicação do EBlog

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O Exército Brasileiro intensifica a modernização de sua capacidade de apoio de fogo com a implantação do Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC) no 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (3º GAC AP), orgânico da 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer. A iniciativa, prevista para ser concluída até o final do primeiro semestre de 2026, integra navegação, posicionamento, direção de tiro, comunicações e apoio ao comando e controle, com impacto direto na prontidão e na eficácia operacional da artilharia autopropulsada brasileira.

Contexto estratégico e operacional

Os paradigmas do combate terrestre moderno foram redefinidos por confrontos recentes, elevando a Artilharia de Campanha a uma posição de centralidade nos debates estratégicos globais. A análise das operações militares, notadamente aquelas observadas no cenário da guerra na Ucrânia, oferece evidências contundentes de que a capacidade de engajar alvos com precisão e letalidade a longas distâncias está intrinsecamente ligada à sinergia operacional. Tal dependência é manifesta na exigência crescente por uma integração fluida entre as plataformas de sensoriamento e aquisição de alvos, os sistemas de comando e controle responsáveis pela decisão e coordenação tática, e os próprios meios de disparo que materializam o apoio de fogo.

A artilharia de campanha ocupa posição central no combate terrestre moderno, conforme evidenciado em conflitos contemporâneos, nos quais a integração entre sensores, sistemas de comando e controle e meios de tiro se tornou determinante para a resposta de fogos de longo alcance. Essa integração reduz os ciclos de decisão e aumenta a precisão e a previsibilidade do apoio de fogo, requisitos agora incorporados no SISDAC.

A 6ª Brigada de Infantaria Blindada, com quartel-general em Santa Maria (RS), é uma das grandes unidades mais bem equipadas e adestradas da Força Terrestre. Composta por doze organizações militares, incluindo capacidades de manobra, comando e controle, defesa antiaérea, mobilidade, contramobilidade, proteção, apoio de fogo e logístico, a brigada possui vocação para ações decisivas, combinando rapidez, precisão e capacidade de choque.

Obuseiro M109A5+BR do Regimento Mallet, atirando no Campo de Instrução Barão de São Borja.

Evolução tecnológica: do Genesis ao SISDAC

As origens do SISDAC remontam ao Sistema Gênesis, desenvolvido pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) no final do século XX como resposta à necessidade de automatizar processos de direção de tiro que dependiam de cálculos manuais e da experiência individual. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, o Sistema Gênesis foi empregado em instruções e estudos doutrinários, funcionando como um espaço de aprendizado institucional que definiu requisitos para sistemas futuros.

A modernização das viaturas autopropulsadas M109 para a versão M109A5+BR, na década de 2010, elevou o patamar tecnológico da artilharia brasileira, impondo novos desafios em termos de navegação, pontaria e comunicações. Essa necessidade impulsionou o desenvolvimento do SISDAC, que amplia e integra funções essenciais para o ciclo de apoio de fogo, oferecendo maior previsibilidade às guarnições e liberando o comando para decisões táticas e operacionais mais centradas no desempenho e na sincronização das unidades de tiro.

Esquema do SISDAC para emprego em uma Brigada Blindada.

Implicações doutrinárias e institucionais

A incorporação de sistemas digitais como o SISDAC transcende a simples aquisição de equipamentos. Requer preparo especializado de pessoal, atualizações doutrinárias e uma cultura institucional aberta à inovação e ao estudo contínuo. Unidades com tradição no emprego da artilharia, como o Regimento Mallet, exemplificam a integração entre tradição e modernidade, na qual a tecnologia amplia a capacidade de julgamento, precisão e responsabilidade do militar, sem substituí-lo.

Além de seu impacto direto nas capacidades militares, o SISDAC tem relevância estratégica para a Base Industrial de Defesa (BID). Sistemas de comando, controle e direção de tiro são itens de sensibilidade tecnológica elevada, raramente transferidos integralmente por fornecedores estrangeiros. O desenvolvimento nacional dessas soluções contribui para preservar conhecimentos críticos, reduzir vulnerabilidades tecnológicas e criar condições para evoluções futuras alinhadas às necessidades brasileiras.

Obuseiro autopropulsado M109 A5+ BR (Exército Brasileiro)

Com informações do Gen Bda André Luiz de Souza Dias e do TC Flávio Henrique do Nascimento via publicação do EBlog

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