Macron desafia indústria de defesa francesa e sinaliza compras a fornecedores europeus

Presidente da França pressiona empresas nacionais por maior eficiência e propõe maior integração europeia em aquisições militares no contexto de rearmamento acelerado

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Macron desafia indústria de defesa francesa e sinaliza compras a fornecedores europeus

Presidente da França pressiona empresas nacionais por maior eficiência e propõe maior integração europeia em aquisições militares no contexto de rearmamento acelerado

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O presidente da França, Emmanuel Macron, advertiu, em discurso proferido em 15 de janeiro de 2026 na Base Aérea de Istres, no sul francês, o setor de defesa nacional sobre a necessidade de aumentar eficiência, velocidade de entrega e competitividade, alertando que o Estado-Maior francês poderá optar por soluções de fornecedores europeus caso os produtores locais não sejam capazes de responder às demandas operacionais com agilidade. A declaração constitui uma sinalização estratégica de Paris para reforçar a integração europeia em aquisições militares diante de um ambiente geopolítico marcado por ameaças crescentes e desafios de rearmamento.

Pressão por desempenho e revisão das prioridades de aquisição

Macron enfatizou a necessidade de adaptação do complexo industrial de defesa francês, tradicionalmente orientado para a produção doméstica por meio de grandes fornecedores como Thales, Safran e Airbus, que historicamente têm sido os principais beneficiários dos contratos militares de Paris. O presidente alertou que o princípio de autonomia estratégica da França — isto é, a prioridade dada a fornecedores nacionais — não pode implicar acomodação frente à concorrência europeia caso soluções externas se mostrem mais rápidas ou eficientes para atender às necessidades das Forças Armadas.

Emmanuel Macron, advertiu o setor de defesa nacional sobre a necessidade de aumentar eficiência. (Philippe Magoni / POOL / AFP via Getty Images)

O alto percentual de pagamentos a empresas sediadas na França — acima de 80% em 2023 — reforça esse padrão tradicional de compras, mas Macron sublinhou que “não devemos considerar as Forças Armadas francesas como clientes cativos”, indicando uma possível reorientação das políticas de aquisição para privilegiar desempenho e prazo de entrega.

Orçamento e aceleração do rearmamento

No mesmo discurso, o presidente reiterou o compromisso de acelerar o aumento do orçamento de defesa do país. A meta de atingir um gasto anual de 64 bilhões de euros — inicialmente prevista para 2030 — foi adiantada para 2027, integrando uma revisão da Lei de Programação Militar (LPM) 2026–2030 que prevê um incremento de 36 bilhões de euros no período, incluindo um acréscimo imediato de 3,5 bilhões de euros a partir de 2026. A expansão orçamentária busca responder à necessidade de incrementar estoques de munições, fortalecer a preparação operacional das forças e avançar em capacidades estratégicas críticas.

Foco em capacidades emergentes e defesa europeia

Macron vinculou a pressão sobre a indústria à necessidade de desenvolver capacidades que contribuam para a dissuasão coletiva europeia, destacando especialmente sistemas de longo alcance e vigilância avançada. Isso inclui iniciativas como o European Long-range Strike Approach, visando capacidades de ataque de longo alcance em parceria com Alemanha e Reino Unido, consideradas cruciais face à ameaça representada por sistemas de mísseis de alcance intermediário como o Oreskhnik, usado pela Rússia no atual conflito com a Ucrânia.

Paralelamente, o presidente anunciou investimentos em sistemas de alerta antecipado que combinam sensores espaciais e redes de radares terrestres, incluindo projetos conjuntos com a Alemanha, e destacou a importância de constelações de satélites de órbita baixa para conectividade e inteligência, reforçando a redução de dependências externas.

O alerta de Macron ocorre em meio a um ambiente de tensões crescentes na Europa. (Philippe Magoni / POOL)

Capacidades de defesa e modernização industrial

Além de priorizar estoques de munição e sistemas de vigilância, Macron instou pela aceleração da produção do sistema de defesa aérea SAMP/T, desenvolvido em conjunto com a Itália, qualificando-o como superior em determinadas capacidades ao sistema americano Patriot, e incentivando sua adoção mais ampla no continente. Ele também destacou a necessidade de modernização das forças francesas em áreas como drones, guerra eletrônica e contra-drones, reconhecendo que a produção nacional de veículos aéreos não tripulados está atrás de alguns concorrentes europeus e norte-americanos.

Contextualização geopolítica

O alerta de Macron ocorre em meio a um ambiente de tensões crescentes na Europa, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pela proliferação de capacidades militares avançadas por atores estatais. A ênfase na autonomia estratégica europeia e na diversificação das cadeias de suprimentos reflete preocupações com vulnerabilidades em contextos de conflito prolongado e a necessidade de fortalecer a cooperação intraeuropeia em defesa, enquanto Paris mantém seu tradicional papel de liderança industrial e militar no continente.

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O presidente da França, Emmanuel Macron, advertiu, em discurso proferido em 15 de janeiro de 2026 na Base Aérea de Istres, no sul francês, o setor de defesa nacional sobre a necessidade de aumentar eficiência, velocidade de entrega e competitividade, alertando que o Estado-Maior francês poderá optar por soluções de fornecedores europeus caso os produtores locais não sejam capazes de responder às demandas operacionais com agilidade. A declaração constitui uma sinalização estratégica de Paris para reforçar a integração europeia em aquisições militares diante de um ambiente geopolítico marcado por ameaças crescentes e desafios de rearmamento.

Pressão por desempenho e revisão das prioridades de aquisição

Macron enfatizou a necessidade de adaptação do complexo industrial de defesa francês, tradicionalmente orientado para a produção doméstica por meio de grandes fornecedores como Thales, Safran e Airbus, que historicamente têm sido os principais beneficiários dos contratos militares de Paris. O presidente alertou que o princípio de autonomia estratégica da França — isto é, a prioridade dada a fornecedores nacionais — não pode implicar acomodação frente à concorrência europeia caso soluções externas se mostrem mais rápidas ou eficientes para atender às necessidades das Forças Armadas.

Emmanuel Macron, advertiu o setor de defesa nacional sobre a necessidade de aumentar eficiência. (Philippe Magoni / POOL / AFP via Getty Images)

O alto percentual de pagamentos a empresas sediadas na França — acima de 80% em 2023 — reforça esse padrão tradicional de compras, mas Macron sublinhou que “não devemos considerar as Forças Armadas francesas como clientes cativos”, indicando uma possível reorientação das políticas de aquisição para privilegiar desempenho e prazo de entrega.

Orçamento e aceleração do rearmamento

No mesmo discurso, o presidente reiterou o compromisso de acelerar o aumento do orçamento de defesa do país. A meta de atingir um gasto anual de 64 bilhões de euros — inicialmente prevista para 2030 — foi adiantada para 2027, integrando uma revisão da Lei de Programação Militar (LPM) 2026–2030 que prevê um incremento de 36 bilhões de euros no período, incluindo um acréscimo imediato de 3,5 bilhões de euros a partir de 2026. A expansão orçamentária busca responder à necessidade de incrementar estoques de munições, fortalecer a preparação operacional das forças e avançar em capacidades estratégicas críticas.

Foco em capacidades emergentes e defesa europeia

Macron vinculou a pressão sobre a indústria à necessidade de desenvolver capacidades que contribuam para a dissuasão coletiva europeia, destacando especialmente sistemas de longo alcance e vigilância avançada. Isso inclui iniciativas como o European Long-range Strike Approach, visando capacidades de ataque de longo alcance em parceria com Alemanha e Reino Unido, consideradas cruciais face à ameaça representada por sistemas de mísseis de alcance intermediário como o Oreskhnik, usado pela Rússia no atual conflito com a Ucrânia.

Paralelamente, o presidente anunciou investimentos em sistemas de alerta antecipado que combinam sensores espaciais e redes de radares terrestres, incluindo projetos conjuntos com a Alemanha, e destacou a importância de constelações de satélites de órbita baixa para conectividade e inteligência, reforçando a redução de dependências externas.

O alerta de Macron ocorre em meio a um ambiente de tensões crescentes na Europa. (Philippe Magoni / POOL)

Capacidades de defesa e modernização industrial

Além de priorizar estoques de munição e sistemas de vigilância, Macron instou pela aceleração da produção do sistema de defesa aérea SAMP/T, desenvolvido em conjunto com a Itália, qualificando-o como superior em determinadas capacidades ao sistema americano Patriot, e incentivando sua adoção mais ampla no continente. Ele também destacou a necessidade de modernização das forças francesas em áreas como drones, guerra eletrônica e contra-drones, reconhecendo que a produção nacional de veículos aéreos não tripulados está atrás de alguns concorrentes europeus e norte-americanos.

Contextualização geopolítica

O alerta de Macron ocorre em meio a um ambiente de tensões crescentes na Europa, impulsionado pela guerra na Ucrânia e pela proliferação de capacidades militares avançadas por atores estatais. A ênfase na autonomia estratégica europeia e na diversificação das cadeias de suprimentos reflete preocupações com vulnerabilidades em contextos de conflito prolongado e a necessidade de fortalecer a cooperação intraeuropeia em defesa, enquanto Paris mantém seu tradicional papel de liderança industrial e militar no continente.

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