Em uma cerimônia militar marcada pelo simbolismo, tradição e reverência à história, a Brigada de Infantaria Aeromóvel (Bda Inf Amv) – Brigada Fornovo di Taro realizou, no dia 11 de dezembro, a solenidade de Passagem de Comando.
Na ocasião, o General de Brigada Igor Lessa Pasinato, Fornovo Uno 57, transmitiu o comando da Brigada ao General de Brigada Pedro Aires Pereira Junior, Fornovo Uno 58, assegurando a continuidade da liderança de uma das unidades mais estratégicas do Exército Brasileiro.

Rito do “Machado Aratu” simboliza a transferência de responsabilidades
A solenidade foi presidida pelo General de Divisão Edson Massayuki Hiroshi, Comandante da 2ª Divisão de Exército; e contou com a presença do Gen Ex Vet João Carlos Vilela Morgero, ex-comandante da Bda Inf Amv e Fornovo Uno 46; do Gen Ex Vet Oswaldo de Jesus Ferreira; e do Gen Div Émerson Alexandre Januário, Comandante do CAVEX.
A cerimônia teve início com a passagem do “Machado Aratu”, rito tradicional que materializa a transferência de autoridade, responsabilidades e a mística operacional da tropa aeromóvel, conhecida como os “Gorros Bege”. Na sequência, ocorreu a inauguração do retrato do General Pasinato na galeria de ex-Comandantes, consolidando seu legado institucional à frente da Brigada.

Homenagem à FEB reforça vínculo histórico da Brigada
Durante a cerimônia, o General Pasinato foi agraciado com a medalha Tributo à Força Expedicionária Brasileira, honraria concedida pelo reconhecimento à sua dedicação em preservar a memória, os valores e o legado dos militares brasileiros que combateram na Segunda Guerra Mundial — herança histórica diretamente ligada à origem da Brigada Fornovo di Taro.
O entusiamo do Gen Igor Pasinato com a preservação da história da FEB terá um papel muito importante em sua nova missão: o comando da Academia Militar das Agulhas Negras. Para o cadete da AMAN, a história da FEB é também um instrumento de formação moral e ética militar. Os valores demonstrados pelos pracinhas — coragem, espírito de sacrifício, lealdade à missão e compromisso com a Pátria — constituem exemplos permanentes de conduta profissional. Ao analisar decisões tomadas sob extrema adversidade, o futuro oficial desenvolve senso crítico, responsabilidade e compreensão do peso humano e estratégico das decisões de comando. Um aprendizado que transcende o conhecimento acadêmico para assumir papel estruturante na construção da identidade profissional do futuro oficial do Exército Brasileiro.

Formatura da tropa marca o ápice da solenidade
O ponto culminante do evento foi a formatura da tropa, que reuniu todo o efetivo da Brigada de Infantaria Aeromóvel, consolidando, diante de autoridades civis e militares, a transição formal de comando.
Na referência elogiosa consignada pela 2ª Divisão de Exército, foi destacado o avanço significativo do projeto Brigada Aeromóvel 2040, além dos progressos consistentes alcançados nas áreas de gestão, doutrina e preparo operacional durante o comando do General Pasinato.

Brigada de Infantaria Aeromóvel: de Fornovo a Caçapava
A origem histórica da Brigada remonta ao início do século XX, com antecedentes organizacionais datados de 1908. Contudo, foi na Segunda Guerra Mundial que esta história passou a ter grande destaque.
O 6º Regimento de Infantaria, então sediado em Caçapava (SP), foi uma das unidades que forneceram contingentes humanos e tradição operacional para a formação da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Militares oriundos do 6º RI participaram de algumas das mais importantes ações da FEB, como a defesa e ataques em posições fortificadas nos Apeninos, as batalhas de Monte Castello, Castelnuovo e Montese, e o avanço final no Vale do Pó, que teve, como ponto culminante, a Batalha de Fornovo di Taro, em abril de 1945. Nessa operação, tropas brasileiras conseguiram cercar e forçar a rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã, além de unidades italianas fascistas, capturando milhares de prisioneiros, armamentos e veículos
O 6º RI foi uma das principais unidades que deram origem e identidade à Brigada que, décadas depois, se transformaria na 12ª Brigada de Infantaria. Como forma de preservar essa herança histórica e os feitos da FEB, a 12ª Brigada recebeu oficialmente o título histórico de “Brigada Fornovo di Taro”, perpetuando a memória da vitória brasileira na Itália e homenageando os combatentes da FEB.

Ao longo das décadas, a unidade passou por sucessivas transformações para atender às demandas estratégicas do Exército Brasileiro. Mais recentemente, incorporou uma Companhia de Precursores Paraquedistas, ampliando suas capacidades de reconhecimento avançado e inserção em terrenos hostis, o que resultou na atualização de sua designação para Brigada de Infantaria Aeromóvel, conforme diretrizes estratégicas atuais da Força.
A 12ª Brigada de Infantaria Aeromóvel, é uma das mais versáteis e estratégicas unidades do Exército Brasileiro, desempenhando papel central nas capacidades de ação rápida e projeção de poder da Força Terrestre. Sediada em Caçapava (SP), a Brigada é considerada uma das principais forças do nosso Exército, com atribuições centrais voltadas à mobilidade e pronta resposta










