Os Fuzileiros Navais deram um passo estratégico rumo à modernização de suas capacidades de combate ao firmar, em 19 de novembro, durante a Dubai Airshow, um contrato com a brasileira SIATT e com o conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos, EDGE Group. O acordo prevê o desenvolvimento do Sistema de Míssil Anticarro Expedicionário (SMACE), uma solução integrada que combina viaturas blindadas de alta mobilidade, mísseis guiados de última geração e vetores não tripulados de ISR e ataque.
A parceria, firmada em um dos mais relevantes eventos aeroespaciais do mundo, reúne autoridades militares, executivos da indústria de defesa e especialistas em tecnologia, reforçando o posicionamento internacional do Brasil no setor.
Viatura leve de alta mobilidade: plataforma para o novo sistema
O SMACE será operado a partir do veículo leve de alta mobilidade da GM Defense — testado em ambiente desértico durante o evento — equipado com motor Duramax 2.8L produzido em São Paulo. Com tração 4×4, proteção balística leve e peso de apenas 2,2 toneladas, a plataforma alia simplicidade de operação e manutenção a elevada capacidade off-road. O modelo foi recentemente adotado pelo Exército dos Estados Unidos em substituição aos tradicionais HMMWVs, marcando tendência global de priorização de meios leves e ágeis para forças expedicionárias.

MSS 1.2 MAX e integração inédita no país
O projeto prevê dotar a viatura com o míssil guiado anticarro MSS 1.2 MAX, produzido integralmente no Brasil pela SIATT. Além disso, o sistema contará com drones de ISR e combate fornecidos pela EDGE. Toda a integração — englobando veículo, míssil, sensores, enlaces de comunicação e plataforma não tripulada — será realizada no território nacional, caracterizando um empreendimento inovador para a Base Industrial de Defesa brasileira.
Segundo o Contra-Almirante Cláudio Leite, Comandante de Material do Corpo de Fuzileiros Navais (CMatFN), a iniciativa representa um avanço estratégico:
“A medida reforça o compromisso da Força Naval com o desenvolvimento de soluções alinhadas às demandas contemporâneas de segurança e soberania. Além disso, o evento ampliou o diálogo com empresas e instituições estrangeiras, abrindo caminho para novas oportunidades de desenvolvimento conjunto e ampliando a visibilidade internacional da Base Industrial de Defesa brasileira.”
Operações litorâneas: preenchendo uma lacuna crítica
Empregado em operações litorâneas e anfíbias, o SMACE permitirá engajar veículos blindados e embarcações de superfície, suprindo uma lacuna histórica de capacidade no Corpo de Fuzileiros Navais. O sistema foi concebido para apoiar forças leves em ambientes costeiros complexos, priorizando doutrina de engajamento rápido, dispersão tática, mobilidade, observação remota de longo alcance via drones e coordenação em tempo real por meio de data links táticos.
Essa filosofia operacional possibilita neutralizar vetores blindados em cenários contestados, ampliando a projeção de poder do CFN a partir do mar.

Parceria internacional com impacto estratégico
O Diretor-Geral e CEO da EDGE, Hamad Al Marar, destacou a importância da cooperação com os Fuzileiros Navais:
“Esta nova solução anticarro é apenas uma entre diversas iniciativas que estamos desenvolvendo junto ao Corpo de Fuzileiros Navais. Ao integrar mísseis guiados avançados, sistemas não tripulados e uma arquitetura de comando em rede, fortalecemos a capacidade do Brasil de enfrentar ameaças, ao mesmo tempo em que ampliamos a projeção global de suas Forças Armadas. O acordo reforça o alcance internacional da EDGE e sua posição competitiva na América Latina, além de evidenciar o valor de longo prazo de uma parceria que impulsiona inovação para além das fronteiras brasileiras.”
Próximos passos
Após a entrega das duas primeiras unidades e sua avaliação operacional prevista para 2026, o plano do CFN é ampliar a capacidade do sistema nos anos seguintes, consolidando o SMACE como um dos principais vetores anticarro e de negação de área das operações litorâneas brasileiras.










